Com apagão, problemas no trânsito e no comércio

Semáforos apagados e lojas impedidas de funcionar foram alguns dos transtornos registrados nos municípios onde faltou energia na tarde de ontem

O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2014 | 02h06

O apagão que atingiu ontem pelo menos onze Estados provocou uma série de transtornos, principalmente no trânsito e no comércio. No Rio, o centro de operações da prefeitura informou que a falta de energia prejudicou o funcionamento de vários semáforos na cidade, o que provocou congestionamento. A situação só não foi pior porque o apagão ocorreu no início da tarde, fora do horário de rush.

A falta de luz afetou ainda o Hospital Salgado Filho, no Méier, que trabalhou com gerador por cerca de uma hora. O Ministério da Saúde informou que os hospitais Bonsucesso, na zona norte, e Cardoso Forte, na zona oeste, também precisaram acionar o gerador de energia para não paralisar o atendimento.

O secretário municipal de Transportes do Rio, Carlos Roberto Osorio, disse que a prefeitura soube do problema por meio do centro de operações, ao perder a comunicação com os sinais de trânsito na região afetada.

Segundo o secretário, a prefeitura tem um plano de contingência para essas situações, acionado assim que a queda de energia foi detectada. Mas, segundo ele, o impacto no trânsito foi "importante". "Até posicionarmos os agentes, tivemos uma perda de capacidade viária. O trânsito se complica quase automaticamente. Isso gerou um transtorno muito grande."

O NorteShopping, localizado no bairro Cachambi (zona norte do Rio), informou que, por causa do problema de energia, fechou temporariamente por cerca de uma hora, entre 15h e 16h. A academia Bodytech, localizada no shopping, ficou sem luz no período. Sem ar condicionado e em meio ao calor de 40 graus do verão carioca, não restou alternativa a não ser pedir que os alunos fossem para casa.

"Tivemos de fechar a unidade das 15h às 16h. A academia ficou muito quente e foi necessário pedir para aproximadamente cem alunos deixarem a unidade até que tudo voltasse ao normal", disse a gerente da academia, Viviane Duarte.

Prejuízos. Em São Paulo, vários semáforos apagados também complicaram ainda mais o trânsito no início da tarde. Mas o apagão prejudicou também quem nem saiu de casa. Viviane Steki, de 36 anos, que mora em Guarulhos, trabalha em casa como vendedora de uma indústria. Ela relatou que a primeira queda de energia na região ocorreu por volta das 14h20. "Durou uns dez minutos, depois a energia voltou. Alguns minutos mais tarde, tivemos uma segunda queda - que, dessa vez, durou uns 40 minutos."

Viviane logo averiguou que o condomínio todo estava sem luz, porém, ao acessar as redes sociais, percebeu que o problema era generalizado. "Como faço home office, ficar sem internet e linha telefônica me prejudica, pois dependo disso para o meu atendimento."

Os problemas também atingiram pelo menos 64 municípios em Minas Gerais, segundo a Cemig, afetando pelo menos 230 mil pessoas. "Aqui, (o apagão) foi na cidade toda. Ainda bem que foi rápido. Durou só uns 20 minutos", contou Wellington Nicácio, proprietário de uma padaria no município de Oliveira. "Já causa prejuízo, porque precisamos fatiar alimentos e o sistema de computação todo parou. Mas, se (a falta de energia) durasse mais, o prejuízo seria muito maior, porque tem todos os alimentos conservados nos freezers."

Em Florianópolis, Santa Catarina, os principais bairros afetados foram o centro e os Ingleses, no norte da ilha. Na região metropolitana da capital, a cidade de Palhoça também registrou queda de energia. O empresário Rodrigo Rocha possui duas farmácias de manipulação no município e reclamou do apagão: "Além do enorme prejuízo financeiro, pois não conseguimos atender os nossos clientes, há o prejuízo para a saúde das pessoas, pois não conseguimos produzir os medicamentos."

Segundo ele, não só ontem mas nos últimos dias a distribuição de energia apresentou inconstância. "Dependemos de muitos equipamentos eletrônicos, desde balanças de precisão até equipamentos de purificação de água, sem contar os computadores e aparelhos de ar-condicionado." Rocha estima que as quedas de luz representem prejuízo de 30%.  Mônica Ciarelli, Mariana Salowicz e Mariana Durão (RJ); Anna Carolina Papp (SP); Marcelo Portela (MG); Tomás M. Petersen, especial para O Eestado (SC)

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