Com apoio da UE, Grécia capta 5 bi de euros no mercado

Com apoio da UE, Grécia capta 5 bi de euros no mercado

Juros obtidos no sistema financeiro privado foram de 5,9%, menos do que o teto admitido por Atenas; estratégia indica que acordo europeu alcançou êxito

Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2010 | 00h00

O governo da Grécia anunciou ontem a captação de ? 5 bilhões em sua primeira investida no mercado financeiro após o pacto de socorro entre os membros da União Europeia, na quinta-feira. O montante foi obtido com a venda de títulos da dívida com validade de 7 anos e juros de 5,9%.

O valor recolhido e as condições do empréstimo indicam o sucesso do acordo europeu, que incluiu o Fundo Monetário Internacional (FMI) entre os potenciais credores de países da zona do euro.

A venda de títulos no mercado financeiro teve como objetivo captar recursos para combater o déficit fiscal do país, que em 2009 atingiu 12,4%, além de reduzir a relação entre a dívida e o Produto Interno Bruto (PIB), de 113%. O empréstimo foi encarado como um teste real à credibilidade do país nos mercados.

Na noite de quinta, os 27 líderes políticos da União Europeia fecharam acordo que permitiria à Grécia tomar empréstimos de vizinhos europeus, com participação do FMI, em caso de fracasso no mercado.

A oferta, feita ontem pela manhã, atraiu investidores dispostos a comprar ? 7 bilhões em títulos, mas o governo grego limitou a ? 5 bilhões o total desejado. A operação foi avaliada como bem-sucedida pelo governo grego, sobretudo porque, nas duas últimas captações realizadas no mercado financeiro, em 2009, a taxa de juros não foi inferior a 6,5%.

Sucesso. "Estamos satisfeitos de ter realizado com sucesso uma operação de ? 5 bilhões em um período de maturação que não é clássico", afirmou à agência Reuters o diretor da agência grega de gestão da dívida, Petros Christodoulou.

Outra prova do sucesso da operação foi a nova alta do euro em relação ao dólar no mercado de câmbio. Depois de chegar a ? 1,327 na quinta-feira à noite, minutos antes do acordo da UE, a moeda única voltou ao patamar de ? 1,346, às 21h de ontem - horário europeu.

Apesar do cenário mais otimista, a situação da Grécia ainda não é confortável. Os juros pagos ao mercado pelo governo grego representam quase duas vezes o cobrado dos títulos da dívida da Alemanha, os mais seguros da Europa. Nessa circunstância adversa, o país terá de reembolsar ou refinanciar até maio ? 23 bilhões em dívidas - ou o equivalente a 10% do PIB nacional. Desse total, ? 7 bilhões poderão ser pagos com recursos do tesouro, restando ? 16 bilhões em aberto.

Não bastasse o tamanho do buraco, a agência de classificação de risco Moody"s levantou dúvidas sobre a seriedade do plano de financiamento de urgência da UE, em nota divulgada ontem.

"A questão primordial em matéria de crédito é saber se a confiança do mercado será reforçada graças ao programa de apoio ou enfraquecida por causa das condições nas quais o programa foi acordado", afirmou o texto.

Ausência alemã. Os bancos da Alemanha, o países mais resistente ao socorro europeu à Grécia, ficaram de fora da captação de recursos realizada ontem.

Instituições da França (Société Générale e Crédit Agricole), da Holanda (ING), dos Estados Unidos (Bank of America e Merril Lynch) e da Grécia (Alpha Bank e Emporiki) coordenaram a operação.

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