Antonio Milena/Estadão
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Com apoio de Abilio, ex-Whirlpool é eleito novo presidente da BRF

Conselho elegeu José Aurelio Drummond Jr. para substituir Pedro Faria no comando da dona de Sadia e Perdigão

Renata Agostini, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2017 | 05h00

O engenheiro José Aurélio Drummond Jr., de 53 anos, será o novo presidente da BRF, dona de Sadia e Perdigão. Ele será o quarto executivo a ocupar o cargo em apenas cinco anos. O atual presidente, Pedro Faria, ficará até o dia 21 de dezembro.

A decisão foi tomada ontem pelo Conselho de Administração da BRF, que deliberou durante cinco horas em São Paulo. 

O grupo reuniu-se em clima de tensão. Drummond, que é membro do conselho, era o candidato defendido por Abilio Diniz, presidente do colegiado, para suceder Faria. O nome do executivo, contudo, era visto como “inaceitável” pelos fundos de pensão Petros e Previ até às vésperas do encontro, segundo fontes próximas às instituições. Argumentavam que era preciso colocar na presidência da empresa um executivo sem ligação com qualquer acionista e apontavam que Drummond seria alçado ao cargo com uma clara conexão com o presidente do conselho.

Os dois fundos são os maiores acionistas individuais da BRF e possuem juntos 22% da empresa, mas têm somente dois representantes no conselho.

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Com a eleição de Drummond, Abilio mostrou novamente força à frente da companhia, que é a maior exportadora de frango do mundo, mas ainda tenta se desvencilhar de uma aguda crise de gestão. No início do ano, após ter anunciado o primeiro prejuízo da história da BRF, o comando do empresário chegou a ser questionado. Ele, porém, garantiu sua reeleição à frente do colegiado.

Poucos meses depois, pressionado pelos fundos, Abilio fez coro pela substituição de Faria no comando da empresa. E começou a costurar, com apoio do fundo Tarpon, a eleição de um nome com seu respaldo.

Currículo. Formado na Faculdade de Engenharia Industrial (FEI-SP), Drummond foi presidente da Whirlpool na América Latina, chefiou a divisão metalúrgica da Alcoa também na América Latina. Seu último posto executivo foi como presidente da Eneva (ex-MPX), cargo que deixou em março deste ano. Atualmente, atuava como sócio da empresa de investimentos Victoria Capital Partners e conselheiro da BRF.

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Drummond assumirá a empresa em fase delicada. A fatia de Sadia e Perdigão no mercado interno, apesar de avanços recentes, ainda está longe da que já tiveram. No terceiro trimestre deste ano, apresentou lucro de R$ 137,6 milhões, interrompendo três trimestres consecutivos no vermelho. Mas ainda há dúvidas se conseguirá fechar 2017 com resultado positivo.

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