Behrouz Mehri/AFP
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Mercados fecham em alta com chance de Biden vencer a corrida pela Casa Branca

Disputa entre Donald Trump e o candidato democrata segue acirrada, mas parece apontar cada vez mais para a derrota do republicano, que já se prepara para contestar o resultado das urnas

Sergio Caldas e Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2020 | 07h30

As bolsas da ÁsiaEuropa e Nova York fecharam majoritariamente em alta nesta quarta-feira, 4, com investidores acompanhando de perto a eleição presidencial nos Estados Unidos, que está mais acirrada do que se previa. Nesse cenário, apesar da vitória de Joe Biden parecer ser a mais provável, o temor é que o resultado das urnas seja contestado por Donald Trump e acabe se arrastando interminavelmente.

A apuração dos votos nos EUA mostra uma disputa mais apertada do que se esperava entre o presidente Donald Trump e seu oponente democrata, Joe Biden. Antes da eleição, as últimas pesquisas indicavam favoritismo de Biden. Quando a maioria das Bolsas asiáticas já havia encerrado os negócios, Trump declarou vitória em discurso e disse que vai à Suprema Corte do país para contestar o que chamou de "fraude enorme" na eleição presidencial.

Já na parte da tarde, o gerente da campanha de Donald Trump à reeleição, Bill Stepien, afirmou que pedirá a recontagem dos votos no Wisconsin, um dos estados importantes para a vitória no Colégio Eleitoral. Por volta das 16h, o Estado informou que Biden derrotou Trump por uma margem de 20,6 mil votos. O resultado deixa ainda mais real a possibilidade de uma vitória do democrata."Achamos que Joe Biden sairá vencedor", afirmaram nesta terça os analistas do TD Bank.

No entanto, caso a vitória do democrata se confirme, o resulltado das urnas indica que um caminho difícil poderá aguardá-lo pelo futuro. Ao contrário do que se esperava, a onda azul não foi forte o bastante para tirar dos republicanos a maioria do Senado, enquanto que a Câmara pode continuar sob o domínio dos democratas. Com um Congresso divido, a chance de que medidas como o novo pacote de estímulos seja aprovado com facilidade ficam mais distantes.

Bolsas da Ásia

O índice acionário japonês Nikkei subiu 1,72% em Tóquio, atingindo o maior nível em nove meses, após não operar na terça-feira, 3, devido a um feriado nacional. Na China continental, o Xangai Composto teve modesto ganho de 0,19% e o Shenzhen Composto avançou 0,31%. Em outras partes da Ásia, o sul-coreano Kospi se valorizou 0,60% em Seul e o Taiex registrou alta de 1,04% em Taiwan.

Já o Hang Seng caiu 0,21% em Hong Kong, à medida que a ação do gigante varejista Alibaba sofreu um tombo de 7,54%, o maior desde que foi listada localmente, no fim de 2019. Na terça, a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) de ações do Ant Group, a fintech do Alibaba, foi suspensa. Na Oceania, a bolsa australiana terminou o dia em baixa marginal, após um pregão volátil. O S&P/ASX 200 recuou 0,07% em Sydney.

Bolsas da Europa

Além da eleição nos EUA, a agenda de indicadores da Europa também ficou no radar. O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) composto da zona do euro subiu 0,3% em setembro ante agosto, como previsto pelos analistas. Já o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto recuou a 50,0 em outubro, melhor do que a previsão de 49,4 dos analistas ouvidos pelo Wall Street Journal.

Ainda assim, a Capital Economics considerou que os números mostram uma economia estagnada, com um inverno local "sombrio" à frente, diante de nova onda da covid-19 e de restrições já impostas para conter o vírus. Apesar do diagnóstico, o índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou com alta de 2,05%. Já a bolsa de Londres subiu 1,67%, enquanto Frankfurt teve ganho de 1,95% e Paris avançou 2,44%. Madri, Madri e Lisboa tiveram ganhos de 1,96%, 0,45% e 0,45% cada. 

Bolsas de Nova York

O mercado acionário de Nova York voltou a fechar em alta, apesar da preocupação com a contestação dos resultados por Trump ajudar a segurar os ganhos no final do pregão. Dow JonesS&P 500 e Nasdaq subiram 1,34%, 2,20% e 3,85% cada. Por lá, o grande destaque nas altas ficou por conta do setor de tecnologia. O movimento foi apontado como fruto em parte do resultado pela disputa pelo Senado.

Ao contrário do esperado pela maioria dos analistas, agora há boa chance de que os republicanos sigam no comando da Casa, o que dificulta eventuais medidas dos democratas para impor mais restrições e regulações a gigantes do setor. As ações do Facebook, um dos grandes destaques durante as eleições de 2016, em especial alvo de críticas, subiram 8,32%. As da Alphabet, que nas últimas semanas vinha sendo alvo de ataques por parte de Trump, tiveram alta de 6,09%. Apple (+4,08%) e Amazon (+6,32%) seguiram a tendência.

Petróleo 

Além da possível vitória democrata, a informação de que os estoques de petróleo caíram nos EUA ajudou a commodity a subir nesta quarta. Segundo o relatório do Departamento de Energia (DoE) americano, a quantidade de barris armazenados no país recuouquase 8 milhões na semana passada. Analistas consultados pelo The Wall Street Journal previam alta de 1,1 milhão de barris.  Já na última terça-feira, 4, o American Petroleum Institute (API, na sigla em inglês) havia informado que os estoques de petróleo nos EUA caíram "inesperadamente" 8, apesar do aumento das importações.

Além disso, o Commerzbank destaca também sinais de que o acordo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+), liderado por Rússia e Arábia Saudita, pode agora incluir cortes maiores na produção, a fim de "estabilizar" o mercado. Se a Opep+ se comprometer com isso, "certamente" dará apoio ao preço do petróleo, diz o banco. 

Nesse cenário, o WTI para dezembro registrou alta de 3,96%, a US$ 39,15, enquanto o Brent para janeiro avançou 3,83%, a US$ 41,23 o barril./COLABORARAM MAIARA SANTIAGO, ANDRÉ MARINHO E GABRIEL BUENO DA COSTA

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