Com arrecadação maior, governo aumenta gastos, diz Velloso

Para economista especialista em contas públicas, governo poderia aproveitar para aumentar superávit primário

Luciana Xavier, da Agência Estado,

30 de junho de 2008 | 13h09

O governo está perdendo a chance fazer um superávit primário maior diante da arrecadação mais forte da Receita Federal e com isso ficar mais preparado para tempos de vacas não tão gordas, disse nesta segunda-feira, 30, o economista Raul Velloso, especialista em contas públicas e ex-secretário de assuntos econômicos do Ministério do Planejamento.   Veja também: Setor público tem superávit nominal até maio pela 1ª vez   "O governo poderia aproveitar a arrecadação recorde para um aumento expressivo do superávit. Mas parece que o governo tem outras idéias em mente e prefere usar a folga para aumentar gastos", criticou em entrevista à Agência Estado.   Segundo o economista, o trabalho pesado de combater a inflação continua nas costas do Banco Central, pois o governo não faz sua parte de cortar gastos. "O BC está sendo forçado a subir o juro porque o setor público continua crescendo muito. Não há indícios de que o governo queira ajudar o BC. Um dia o governo diz que vai colaborar e no outro, aumenta os gastos. Como o governo não ajuda, o BC tem que subir os juros, isso prejudica os investimentos e desacelera o crescimento. É chocante que o governo não perceba isso", afirmou.   Segundo ele, havia uma proposta de limitar o aumento das despesas com pessoal a 1,5% mais inflação, mas o projeto de lei parece ter caído no esquecimento. "O governo parou de brigar pela aprovação disso", disse.   Se houvesse contenção nas despesas com pessoal, Velloso disse que o superávit primário poderia ser perto de 5%. Ele disse ainda que a poupança fiscal extra de 0,50 ponto porcentual do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, por meio de um Fundo Soberano do Brasil (FSB), que levaria a meta do superávit primário de 3,8% para 4,3% do PIB, se deve em grande parte ao aumento da arrecadação.   Arrecadação   O crescimento recorde da arrecadação após a perda da CPMF foi "a grande surpresa deste ano" na avaliação de Velloso. Fora isso, o resultado do setor público de maio, cujo superávit primário foi de R$ 13,207 bilhões, está dentro do esperado. A arrecadação recorde, ressaltou, se deve à lucratividade maior de alguns setores e também ao aumento expressivo das importações.   Segundo Velloso, essa arrecadação recorde pode não ser sustentável, tendo em vista que a alta de juros poderá levar a uma desaceleração do crescimento e investimentos. As despesas do governo central acumulam de janeiro a maio deste ano um crescimento de 9,14% em relação ao mesmo período do ano passado. As despesas nos cinco meses totalizaram R$ 181,313 bilhões.   Velloso criticou a proposta de criação da Contribuição Social para a Saúde (CSS) no lugar da CPMF. "A CSS não é necessária nem adequada par ao momento", disse. Segundo o economista, "está difícil para o governo justificar a necessidade esse imposto".

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