Frederic J. Brown/AFP
Frederic J. Brown/AFP

Com ataques especulativos em Wall Street, mercados internacionais fecham em queda

Recentes episódios em Nova York vêm gerando volatilidade e alimentando aversão a risco em outros mercados financeiros, que ainda desconhecem o efeito desse movimento

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2021 | 07h30
Atualizado 29 de janeiro de 2021 | 19h15

Os recentes movimentos especulativos em Wall Street continuaram a preocupar os investidores nesta sexta-feira, 29, e em resposta, os principais índices do exterior voltaram a fechar em queda, já que o efeito dessa ação no mercado de risco ainda é desconhecido. Além disso, problemas na imunização contra o coronavírus, principalmente no continente europeu.

Nos EUA, em carta à Securities and Exchange Comission (SEC), que regula o mercado de capitais americano, a senadora democrata Elizabeth Warren pressionou a entidade a tomar medidas para evitar incidentes de manipulação de mercados, tentando prever novos casos, como o da GameStop, que já sobe mais de 700% com a compra de pequenos investidores orquestrada em fóruns pela internet. A ação de rede de cinemas americana AMC também tem sofrido o mesmo tipo de movimento.

A Bk Asset Management disse em relatório que o sistema financeiro "não está preparado" para lidar com variações diárias tão grandes. A gestora avalia que o movimento gerou um "risco sistêmico, em meio a episódios recentes de grande volatilidade".  Para conter este movimento, a Robinhood adicionou mais 10 empresas à uma lista de papéis com negociações limitadas. Além disso, a corretora apertou as restrições às ações da GameStop, AMC e Nokia

Sobre a pandemia, o NatWest destaca que o pessimismo em relação à covid-19 "retornou aos mercados". O banco cita a lentidão na oferta da vacina e o "nacionalismo" em relação aos imunizantes como fatores que estariam pressionando os mercados. Para o NatWest, dados até agora disponíveis sugerem que a oferta não tem sido tanto o gargalo, mas sim o ritmo ainda lento da imunização. Enquanto isso, o mundo ultrapassou a marca de 101 milhões de infectados, segundo dados compilados pela Universidade Johns Hopkins.

Hoje, a União Europeia publicou o contrato fechado com a AstraZeneca, em sua investida para pressionar a empresa a seguir o combinado na agenda de entregas de vacinas. A Moderna também anunciou que não vai conseguir entregar todas as doses encomendadas por França e Itália, que assim como outros países da região, voltaram a endurecer as medidas de isolamento. No lado positivo, a Johnson & Johnson disse que sua vacina, de dose única, tem eficácia de 66% contra o vírus.

Bolsas de Nova York

Em Nova York, além dos movimentos especulativos e dos problemas com a imunização contra a covid, preocupou as palavras da porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, de que o novo governo americano avalia eventuais ajustes na relação bilateral e deseja estar "em posição de força" quanto a Pequim. A fala tirou o foco da aprovação de novas medidas de estímulo nos Estados Unidos.

O índice Dow Jones fechou em queda de 2,03%, o S&P 500 recuou 1,93% e o Nasdaq teve baixa de 2,00%. Na comparação semanal, os três índices avançaram: 0,59%, 1,94% e 4,19%, respectivamente.

Bolsas da Ásia 

A Bolsa de Seul liderou as perdas na Ásia, com queda de 3,03%. Foi a maior retração num único pregão em cinco meses. Em outras partes da região, a Bolsa de Tóquio caiu 1,89%, a Hong Kong, 0,94% e a de Taiwan, 1,80%. Os mercados chineses de Xangai e Shenzhen caíram 0,63% e 0,75% cada.

Na Oceania, a Bolsa australiana caiu 0,64%, influenciada principalmente por ações de bancos, mineradoras e petrolíferas.

Bolsas da Europa 

O clima de queda generalizada também predominou na Europa, onde o índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em baixa de 1,87%; A Bolsa de Londres cedeu 1,82%, a de Paris, 2,02% e a de Frankfurt, 1,71%.

Milão, Madri e Lisboa tiveram baixas de 1,57%, 2,21% e 1,26%. Todos os índices fecharam o acumulado da semana em queda.

Petróleo 

Os contratos futuros de petróleo chegaram a subir em parte do dia, porém terminaram em baixa nesta sexta-feira. Os riscos trazidos pela covid-19 e seus impactos na oferta continuaram como preocupação. Em resposta, o WTI para março fechou em baixa de 0,27%, em US$ 52,20 o barril, com queda de 1,75% na comparação semanal. Já o Brent para abril recuou 0,11%, a US$ 55,04 o barril./ MAIARA SANTIAGO, GABRIEL BUENO DA COSTA, GABRIEL CALDEIRA E SERGIO CALDAS

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