Com atraso, Boeing entrega primeiro Dreamliner

Programa enfrentou vários problemas, com atraso de pelo menos três anos e custos superando os US$ 32 bi; dúvida é se avião dará lucro à empresa

SEATTLE, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2011 | 03h04

O tão esperado avião 787 Dreamliner, da fabricante americana Boeing, tornou-se ontem uma realidade comercial, quando a companhia a companhia assinou o contrato de entrega do maior jato comercial fabricado com material composto e fibra de carbono do mundo a um cliente japonês.

A Boeing afirma que a estrutura do jato, baseada em componentes plásticos, vai gerar uma economia de combustível de 20% para a All Nippon Airways (ANA) e outras companhias aéreas que o utilizarem. Além disso, de acordo com a fabricante, proporcionará uma viagem mais confortável aos passageiros, com melhor espaço da cabine e grandes janelas com claridade regulada eletronicamente.

A aeronave foi entregue com um atraso de mais de três anos depois de seguidos problemas que custaram à Boeing bilhões de dólares.

"Trabalhamos duro para que esse dia chegasse", disse Scott Fancher, vice-presidente e gerente-geral do programam 787. "Há cerca de uma hora, transferimos a propriedade do primeiro 787 para a All Nippon Airways", disse ele, no final de dois dias de comemorações na fábrica do avião, em Seattle.

A aeronave de longo alcance, que custa cerca de US$ 200 milhões, tem um novo e elegante design e partirá para o Japão amanhã. O jato deve começar a realizar voos domésticos em 26 de outubro. A Boeing vendeu mais de 800 Dreamliners, que competirão com o futuro A-350, da fabricante europeia Airbus, que deve ficar pronto em meados dessa década.

Disputa. A esperada assinatura do contrato de entrega do 787 Dreamliner aconteceu uma semana depois que outra grande entrega da Boeing, a do primeiro cargueiro 747-8, foi subitamente adiada por causa de uma disputa com o cliente.

O jornal Seattle Times informou ontem que os custos do programa 787 haviam superado os US$ 32 bilhões. Isso levantou dúvidas, de acordo com o jornal, sobre se o avião revolucionário dará lucro para a Boeing, "bem antes de 2020, ou em algum momento".

Depois de uma série de falhas para colocar o avião em funcionamento, a Boeing também enfrenta o desafio de alcançar a sua meta de aumentar a produção de dez aviões por mês até 2013, dizem os analistas.

"A primeira entrega é o final de um caminho longo e doloroso para a Boeing", disse o analista aeroespacial Scott Hamilton. "Eles nunca tiveram um programa de avião comercial que tenha tido tantos problemas quanto este, então, sim, é um marco, mas os desafios ainda não acabaram. A Boeing precisa conseguir ter uma produção estável e crescente e ainda precisa fazer mudanças em cerca de 40 aviões o que, segundo eles, vai levar anos para ser concluído."

A Boeing se recusou, até agora, a dizer quantos aviões precisa vender para não ter prejuízo. "Se for 1.200, eles devem ganhar dinheiro; se for mais do que isso, então isso poderá ser um desafio", disse Hamilton. / REUTERS

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