Com atraso, recuperação chega à América Latina

O maior crescimento regional do indicador foi verificado no Chile

O Estado de S.Paulo

02 Março 2018 | 03h00

O clima econômico mundial vem melhorando desde 2016, mas só em janeiro de 2018 a tendência chegou à América Latina, segundo o Leibnitz Institute of Economic Research (Ifo), da Alemanha, e a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Foi o que mostrou o Indicador de Clima Econômico da América Latina (ICE) elaborado pelo Ifo e pela FGV: pela primeira vez em 18 trimestres, esse índice, que representa o saldo entre a proporção de avaliações positivas e negativas sobre o estado das economias da região, foi positivo em 1,5 ponto porcentual.

O ICE do Brasil aumentou 4,1 pontos porcentuais no trimestre e foi decisivo para a percepção favorável na América Latina, dado o peso relativo do País na região (38%). O maior crescimento regional do indicador foi verificado no Chile (+26,3 pontos), resultado atribuído pelos analistas do Ifo e da FGV ao “choque positivo” do próximo governo, pois a socialista Michelle Bachelet será substituída, em março, pelo conservador Sebastián Piñera. Também evoluíram os índices de Colômbia e Paraguai e estão no campo positivo Argentina e Peru. Bolívia e Equador – além da Venezuela – mostraram ICE desfavorável. Com peso de 28% na área, o México apresentou ICE negativo em 26,8 pontos porcentuais e foi o país que mais contribuiu para os maus resultados da região. Incertezas quanto ao tratado de livre-comércio com os EUA (Nafta, do qual também participa o Canadá) empurraram o ICE do México para baixo.

O contraste entre os indicadores latino-americanos e os indicadores globais é enorme. Entre outubro de 2017 e janeiro de 2018, o ICE da União Europeia evoluiu de 27,8 pontos para 31,9 pontos e o dos Estados Unidos avançou de 25,7 pontos para 46 pontos.

Com a exceção do Reino Unido, houve melhora no clima econômico de todos os países desenvolvidos, com destaque para Alemanha, França e Japão. Nos países-membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o ICE atingiu 33,8 pontos porcentuais.

A América Latina “ainda está longe do clima favorável que lidera o ciclo expansivo da economia mundial”, segundo os especialistas do Ifo e da FGV. A comparação é desfavorável mesmo em relação aos países Brics, favorecidos pela melhora da posição da Índia. O desafio da América Latina – e do Brasil – é evitar a perda de mais um ciclo global positivo.

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