Com atraso, zarpa a frota da Petrobrás

Petroleiro Celso Furtado, construído pelo estaleiro Mauá, se prepara para ir ao mar

SERGIO TORRES / RIO, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2011 | 03h07

Preparados para zarpar rumo a Santos logo após a solenidade de incorporação à frota da Petrobrás Transporte S.A. (Transpetro), inicialmente marcada para amanhã, os 26 tripulantes do petroleiro Celso Furtado terão de esperar mais um pouco. A cerimônia, que teria a participação da presidente Dilma Rousseff, foi cancelada.

O Celso Furtado, lançado ao mar em junho do ano passado, deveria ter sido entregue à Transpetro até dezembro de 2010, seis meses depois. Já é quase um ano de atraso. Mas a Transpetro sustenta que o prazo seria em setembro deste ano.

A nota sucinta distribuída pela subsidiária da Petrobrás na noite de quinta-feira não explica a razão do cancelamento da solenidade de amanhã, que seria realizada no centenário estaleiro Mauá, em Niterói, cidade na região metropolitana do Rio.

Extraoficialmente, fala-se na sede do Mauá que Dilma faz questão de estar presente e, como não poderia vir ao Rio amanhã, os organizadores decidiram transferir o evento. "Uma nova data será divulgada em momento oportuno", informa o comunicado da Transpetro.

O fato é que os tripulantes, entre eles o comandante Cláudio Lisboa Nunes, só ficaram sabendo da suspensão na manhã de sexta-feira, durante visita da reportagem do Estado à embarcação. Até então, ele mantinha os procedimentos para o início da entrada em operação do navio.

O roteiro da primeira viagem já estava montado. O Celso Furtado deixaria Niterói com os 12 tanques vazios rumo a Santos, onde seriam embarcadas cargas de derivados de petróleo (gasolina, diesel e nafta, possivelmente) para a distribuição em cidades portuárias do litoral brasileiro. O navio tem capacidade de carregar até 56 milhões de litros de combustíveis (56 mil metros cúbicos).

Modernização. O Celso Furtado faz parte do Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef), criado no primeiro governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A primeira embarcação do Promef, o petroleiro João Candido, jamais chegou ao mar, embora tenha sido lançado com pompa em maio do ano passado pelo próprio Lula. A embarcação ainda passa por reparos no Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Pernambuco.

O segundo navio é o Celso Furtado, também com atraso grande. É o primeiro dos quatro petroleiros - todos do mesmo feitio e tamanho - do Promef encomendados ao estaleiro Mauá. Os outros três estão em estágio avançado.

O Sérgio Buarque de Holanda tem previsão de entrega à Transpetro no primeiro semestre do ano que vem. O Rômulo Almeida foi lançado ao mar em junho e passa por ajustes finais. O último, ainda sem nome, está sendo construído no Mauá, pioneiro na construção de navios de grande porte no Brasil, em funcionamento há 168 anos.

Passados seis anos do lançamento do Promef 1, a frota da Transpetro continua sem receber as novas embarcações a serem empregadas pela Petrobrás no transporte de derivados de petróleo pela costa brasileira (cabotagem), na condução do óleo extraído do subsolo marinho até os terminais e na exportação dos produtos.

A carteira do Promef 1 é composta por 26 navios. O Promef 2, por mais 23. A questão do atraso se agrava porque a Petrobrás precisa das embarcações para atender ao crescimento da produção e da demanda interna por combustíveis. Preocupa muito a companhia petroleira o fato de 22 das 49 embarcações terem sido encomendadas ao EAS, que vem sendo montado simultaneamente à construção de petroleiros e componentes de plataformas.

As dúvidas em relação ao João Candido atrasaram o início das obras dos navios subsequentes. O segundo navio construído pelo estaleiro pernambucano, já batizado de Zumbi dos Palmares, tem previsão de ficar pronto apenas no segundo semestre do ano que vem.

Em entrevistas, o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, costuma minimizar os atrasos e suas implicações mais adiante. Segundo ele, a demora faz parte da curva de aprendizagem, especialmente no estaleiro pernambucano, criado para, principalmente, atender às encomendas do Promef. De acordo com o raciocínio de Machado, à medida que os estaleiros forem concluindo os barcos, a mão de obra cada vez mais se acostumará ao serviço, aprimorando a qualificação profissional e tornando a obra sempre mais rápida.

Estaleiro Mauá. No caso do estaleiro Mauá, onde os operários são considerados entre os melhores do país, o fluxo de conclusão dos barcos tende a ser ainda mais ágil, já que os quatro petroleiros do Promef são idênticos. As dúvidas surgidas na construção do Celso Furtado podem ser dirimidas com facilidade nos navios que vierem depois, avalia a Transpetro.

Chamados pelos metalúrgicos de irmãos, os petroleiros do Mauá têm 183 metros de cumprimento, 32 metros de largura e 12,8 metros de calado.

Deslocam-se a quase 30 km/h, o que permitirá cumprir a rota Rio-Belém em seis dias. O pacote de encomenda dos quatro está orçado em R$ 299 milhões - R$ 74,7 milhões por navio, em média.

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