Wilton Junior/Estadão
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Com atual preço do petróleo, pequenas empresas do setor têm sobrevida de duas semanas, diz entidade

Cerca de 13 mil pessoas podem ficar sem emprego, segundo Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2020 | 17h13

RIO - Pequenas e médias empresas nacionais produtoras de petróleo projetam uma sobrevida de no máximo duas semanas caso a cotação da commodity se mantenha no patamar atual. Nesta terça-feira, 21, o brent, negociado em Londres e usado como referência no Brasil, chegou a ser vendido a menos de US$ 20.

Se esse cenário persistir e a cotação deixar de cobrir os custos, cerca de 13 mil pessoas vão ficar desempregadas, segundo cálculo da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo (Abpip), Anabal Santos Júnior. A associação reúne operadores de cerca de 80 campos, que juntos produzem 10 mil barris por dia (bpd), um volume pequeno frente aos 2,9 milhões de todo País.

"Está todo mundo tentando ganhar tempo. Se medidas não forem tomadas imediatamente, vamos quebrar", afirmou Santos Júnior.

Até agora, apenas uma pequena produtora, a Energizzi, anunciou a suspensão do seu projeto, com a paralisação de uma unidade de produção no município de Catu, na região metropolitana da Bahia.

Esse segmento da indústria petroleira tem a peculiaridade de atuar em campos em terra, de ter pequena escala de produção e contratações e de estar concentrados em pequenos municípios da região Nordeste do País. Mas é relevante para as economias locais, tanto na geração de emprego quanto no comércio.

Seus preços de venda não são diretamente atrelados à cotação do mercado, como os da Petrobrás. A petroleira estatal, principal compradora do petróleo dos independentes, define um desconto segundo a qualidade do óleo, que chega a US$ 10 por barril. Com a cotação internacional muito baixa, em torno de US$ 20, o óleo dos pequenos produtores gira em torno de US$ 10, o que praticamente inviabiliza a maior parte dos projetos terrestres.

Diante da crise, ainda em março a Abpip entregou um documento ao Ministério de Minas e Energia (MME) com 15 sugestões de mudanças, principalmente regulatórias, que podem ajudar o segmento. Entre elas está a redução do porcentual de royalties, hoje de 10%, o mesmo cobrado das grandes petroleiras.

Além disso, o presidente da associação reclama da utilização do brent como referência de cálculo dos royalties, já que o barril dessas empresas é vendido a um valor inferior à cotação de Londres.

"Muitas dessas pequenas empresas produzem muito mais água que petróleo. Elas têm custo mais alto, estrutura enxuta e pouco capital de giro. São candidatas a fechar as portas", argumentou Santos Júnior.

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