Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Com aumento de 1,8% nas vendas em abril, varejo fica acima do patamar pré-pandemia

Resultado foi o melhor para o mês desde o início da série histórica, iniciada em 2000; segundo o IBGE, o único segmento que registrou queda foi o de supermercados

Daniela Amorim e Cícero Cotrim , O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2021 | 09h27
Atualizado 08 de junho de 2021 | 12h46

RIO e SÃO PAULO - Após cinco meses de resultados erráticos, o varejo mostrou fôlego em abril. As vendas cresceram 1,8% em relação a março, melhor desempenho para o mês dentro da série histórica, iniciada em 2000, da Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada nesta terça-feira, 8, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O avanço surpreendeu analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast, que estimavam uma queda mediana de 0,3%. O bom desempenho de abril foi impulsionado por avanços em sete das oito atividades que integram o comércio varejista. O resultado inverte o mau desempenho de março ante fevereiro, quando as vendas recuaram 1,1%, devido a perdas nos mesmos sete ramos varejistas que crescem agora em abril.

A expansão acima das expectativas em abril corrobora um cenário de atividade econômica mais forte em 2021, afirma o economista da MAG Investimentos Julio Cesar Barros. O analista prevê alta de 0,2% para o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre e avanço de 5,5% no ano, mas avalia que os números podem ser ainda maiores.

“A expectativa era de que os efeitos negativos das restrições ficassem concentrados em abril, mas vimos uma volta mais rápida surpreendente”, disse Barros. “Agora, há uma possibilidade de números positivos no segundo trimestre e isso, evidentemente, coloca um viés de alta para o ano”, completou.

O crescimento das vendas do varejo de abril foi “sólido” e deixou um carregamento estatístico de alta de 1,2% para o setor no segundo trimestre, calcula o Goldman Sachs, em nota.

"Com a melhora na mobilidade e a renovação de transferências fiscais, esperamos que o setor do varejo se recupere no segundo trimestre de 2021 e avance ainda mais no segundo semestre, em linha com o progresso da vacinação contra a covid, a reabertura gradual da economia e novos estímulos fiscais", escreveu o economista Alberto Ramos, do Goldman Sachs.

A reabertura de atividades econômicas que foram fechadas em março pela segunda onda da pandemia de covid-19 e uma estratégia de promoções adotadas por alguns setores varejistas impulsionaram o desempenho do varejo em abril, avaliou Cristiano Santos, gerente da pesquisa do IBGE. Segundo ele, o mês de março concentrou mais medidas anticovid, de restrição à circulação de pessoas e funcionamento de estabelecimentos, fazendo com que a reabertura em abril impulsionasse as atividades que tinham recuado.

"Pode ter tido estratégia de promoções, uma influência também estratégica de consumo. Ocorreu principalmente em móveis e eletrodomésticos, mas também em equipamentos e material de informática e comunicação e também em tecidos e vestuário", afirmou Santos. “Combustíveis tiveram redução da pressão inflacionária.”

Na passagem de março para abril, houve avanços nas vendas de móveis e eletrodomésticos (24,8%), tecidos, vestuário e calçados (13,8%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (10,2%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (6,7%), livros, jornais, revistas e papelaria (3,8%), combustíveis e lubrificantes (3,4%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,9%).

A única taxa negativa foi a de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,7%), mas não houve influência da inflação de alimentos, garantiu Santos. Segundo ele, a atividade foi a única com crescimento em março por ter absorvido o consumo que as famílias deixaram de fazer em outros ramos varejistas. Com a reabertura das atividades não essenciais em abril, esse consumo voltou a ser dirigido para setores que tinham recuado no mês anterior.

“Ela (a atividade de supermercados) perde um pouco de fôlego para outras atividades que tiveram perdas em março”, disse Santos.

No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, houve elevação de 3,8% no volume vendido em abril ante março. As vendas de veículos subiram 20,3%, enquanto as de material de construção aumentaram 10,4%.

Na comparação com abril de 2020, o varejo registrou um avanço recorde de 23,8% em abril deste ano, impulsionado pela base de comparação baixa, já que a economia estava sob forte impacto da crise sanitária nessa mesma época do ano passado. O varejo ampliado também teve o maior aumento de vendas da série, com alta de 41,0%.

“Em relação a abril de 2020 a gente vai ter patamar mais pronunciado (de alta nas vendas) por causa da base de comparação baixa”, alertou Cristiano Santos.

A melhora no varejo na passagem de março para abril fez o volume de vendas voltar a superar em 1,0% o nível de fevereiro de 2020, no pré-pandemia. Os segmentos de material de construção, artigos farmacêuticos, outros artigos de uso pessoal e doméstico, supermercados e móveis e eletrodomésticos estão operando acima do patamar pré-crise sanitária. No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, as vendas operam 0,3% além do pré-pandemia.

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