Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

Com avanço de projeto da privatização, governo troca generais em diretoria dos Correios

General José Eduardo Leal de Oliveira vai entrar no lugar de Celso José Tiago, sendo que presidente da estatal também é militar; projeto de privatização já foi aprovado pela Câmara e está agora no Senado

Vinícius Valfré, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2021 | 18h52
Atualizado 11 de agosto de 2021 | 10h42

BRASÍLIA - O governo Jair Bolsonaro trocou o diretor de Governança dos Correios, mantendo a influência dos militares na administração da estatal. Na segunda-feira, 9, tomou posse o general de brigada José Eduardo Leal de Oliveira. Ele substitui o general de divisão Celso José Tiago, que chegou a exercer a presidência dos Correios interinamente.

A mudança ocorre no momento em que avança no Congresso o projeto que permite a privatização dos Correios. A Câmara aprovou o texto na última quinta-feira, 5. Agora, o texto será analisado pelo Senado.

A empresa é presidida pelo general Floriano Peixoto Vieira Neto e tem, ainda, o general Danilo Cezar Aguiar de Souza como diretor de administração. Ambos são egressos da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman).

Antes da ascensão de Floriano, a presidência dos Correios foi exercida pelo também general Juarez Aparecido de Paula Cunha. O militar foi demitido após ser acusado por Bolsonaro de ter atuado como "sindicalista".

O novo diretor de Governança passou à reserva do Exército em março. Leal de Oliveira foi subchefe de Operações do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas.

No convite para a posse do novo general, a cúpula dos Correios apenas destacou que agradece o trabalho desenvolvido por Celso Tiago e desejou as boas-vindas a Leal de Oliveira. O Estadão questionou o motivo da troca, mas a estatal não se manifestou. Nesta quarta-feira, 11, disse apenas que o mandato de Celso José Tiago na Diretoria de Governança expirou em 6 de agosto deste ano.

A presença de militares em cargos civis mais do que dobrou no governo de Jair Bolsonaro. Segundo o mais recente levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU), os fardados da ativa e da reserva passaram de 2.765, em 2018, para 6.157, em 2020. No mesmo período, o número de militares que ocupam cargos comissionados cresceu de 1.934 para 2.643.

Militares no governo

Os fardados também se destacam no primeiro escalão. Bolsonaro entregou alguns dos principais ministérios a egressos das Forças Armadas. A Casa Civil era do general Braga Netto, hoje ministro da Defesa. O general da ativa Eduardo Pazuello foi o ministro da Saúde mais longevo da pandemia, com cerca de 10 meses de atuação.

O general Luiz Eduardo Ramos é um dos principais auxiliares do capitão Bolsonaro. Recentemente, foi deslocado da Casa Civil para a Secretaria-Geral da Presidência.

Os militares têm, também, o tenente-coronel da Aeronáutica Marcos Pontes como ministro da Ciência e Tecnologia; o capitão do Exército Tarcísio Freitas, da Infraestrutura; o general Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional; almirante da Marinha Bento Albuquerque, da pasta de Minas e Energia; e o capitão Wagner Rosário, da Controladoria-Geral da União.

A presença de membros das Forças Armadas no primeiro escalão do governo, sobretudo os da ativa, é motivo de frequente discórdia entre alas do militarismo. É que a atuação desses militares em cargos de natureza política acaba envolvendo a imagem das próprias instituições militares e as associando a erros dos ministros. 

Eduardo Pazuello, ainda na ativa, é um dos principais alvos da CPI da Covid, assim como Braga Netto. O atual chefe da Defesa coordenou, na Casa Civil, o comitê de crise para enfrentamento à covid-19 e deve ser convocado para testemunhar aos senadores. A eficiência da atuação de ambos é atacada pelo TCU.

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