Com baixa adesão, internet 4G pode encerrar o ano com 1 milhão de acessos

Expectativa do governo era de que tecnologia chegasse a 4 milhões de consumidores até o fim do ano; preço elevado do aparelho e o número reduzido de modelos de celulares habilitados estão entre as barreiras para o crescimento desse mercado

RODRIGO PETRY, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2013 | 02h10

Não será neste ano que a internet móvel de quarta geração (4G) vai emplacar no Brasil. A projeção das consultorias do setor é de que, até dezembro, menos de 1 milhão de brasileiros sejam usuários da tecnologia. O número contrasta bastante com a expectativa do Ministério das Comunicações e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de chegar a 4 milhões de consumidores até o fim do ano.

Como saiu do zero, o mercado de 4G já dobrou de tamanho, passando de 48,459 mil acessos em abril para 105,250 mil acessos em maio, segundo a Anatel. No entanto, a Claro, que se antecipou aos concorrentes e às metas da agência para início do 4G em algumas cidades, estacionou numa faixa de crescimento de 5 mil acessos mensais. A base da empresa saiu de 14,7 mil acessos, em março, para 24,6 mil acessos em maio.

"Esse ritmo que estamos vendo na Claro é, provavelmente, o que teremos até o fim do ano", diz Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco. Ele estima que o número de acessos via 4G deve terminar 2013 abaixo de 1 milhão. "O que estamos vendo é a entrada apenas de pessoas que estão acostumadas a comprar aparelhos mais caros."

A Frost & Sullivan também estima uma evolução lenta para o 4G. A projeção da consultoria é de 500 mil acessos até dezembro. Segundo o analista Renato Pasquini, com mais de um ano, o mercado brasileiro de 3G já contava com cerca de 2,8 milhões de acessos, enquanto o 4G, com as atuais faixas de frequências disponíveis, deve chegar ao fim de 2014 com menos de 2 milhões. "O crescimento será mais lento do que o do 3G", prevê.

No ato de lançamento da internet móvel de quarta geração em São Paulo, no fim de abril, o ministro Paulo Bernardo comentou, em tom descontraído, que apostaria um jantar com o presidente da Anatel, João Resende, de que a adesão ao 4G superaria os 4 milhões de usuários até dezembro.

Entre executivos do setor, prevalece o ceticismo. "A tecnologia 4G vai se popularizar no Brasil com dez anos de defasagem", afirmou um deles. "Vai funcionar muito bem na área dos estádios, mas se o sujeito sair do Maracanã para Copacabana o 4G desaparece."

Aparelhos. O preço dos aparelhos é a principal barreira para o crescimento deste mercado, com valores que podem chegar a R$ 1,5 mil, em média. Isso tem uma explicação: como o Brasil lançou o 3G com atraso em relação a outros países, os aparelhos já estavam disponíveis no mercado brasileiro, a preços mais acessíveis. Agora, o início da operação 4G no País ocorre em paralelo ao dos principais mercados consumidores de telefonia do mundo. Isso reduz a escala de aparelhos disponíveis no mercado, diminuindo a margem para queda do preço.

"Como não vemos uma queda no preço dos aparelhos, a penetração do 4G vai ser lenta", projeta Eduardo Tude. Até junho, a Anatel já homologou para o mercado brasileiro 13 modelos de aparelhos compatíveis com o 4G: dois da Blackberry, dois da Nokia, três da LG, um da Motorola, dois da Sony Mobile e três da Samsung. Entre as tecnologias que rodam o 3G, estão disponíveis 395 modelos.

"Há problemas como a falta de aparelhos, mas são coisas para resolver aos poucos", afirma o presidente da Telefônica/Vivo, Antonio Carlos Valente. Apesar de a Claro ter saído na frente na oferta do 4G, a Vivo assumiu a liderança deste mercado, com 56,3 mil acessos em maio. Essa vantagem é explicada pelo foco da empresa: o mercado de São Paulo, que registra 32,7 mil dos 105 mil acessos do País, de acordo com a Anatel.

Cobertura. A Vivo afirma que a antecipação da cobertura da empresa em São Paulo deve-se à relevância deste mercado, que apresenta a maior demanda por serviços de dados. Como a capital paulista ficou de fora da Copa das Confederações, a obrigação da teles é ofertar o 4G no município apenas a partir do fim deste ano. A Vivo também oferece 4G na região do ABC e em cinco cidades do interior.

No caso da Claro, a empresa completou na semana passada a implantação das redes de 4G nas doze cidades que vão sediar jogos da Copa do Mundo. Já a TIM (que encerrou maio com 24,1 mil acessos em 4G e tem sua rede em conjunto com a Oi) opera a tecnologia nas seis cidades que sediaram jogos da Copa das Confederações, conforme estipulado pela Anatel. Os números de 4G da Oi ainda não foram divulgados, mas a empresa espera lançar o serviço em São Paulo ainda neste mês.

Segundo a Anatel, o País tem hoje 105 mil acessos na tecnologia 4G. Mas esse número não é preciso. "O sistema da Anatel contabiliza o registro de aparelhos que sejam compatíveis com o 4G, mesmo que a conexão com a internet seja feita com o 3G", explica Pasquini.

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