Evelson de Freitas/Estadão
Para Rocca, do Cemec-Fipe, duplicata eletrônica praticamente elimina o risco de fraude e dá mais credibilidade ao processo Evelson de Freitas/Estadão

Com baixa competição, juro para consumidor ainda é um dos maiores do mundo

Inovações regulatórias, como duplicata eletrônica, e novas fintechs têm potencial para elevar o crédito

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2021 | 14h00

Além do Open Banking, a possibilidade de expansão do crédito pode ser explicada pela queda da taxa Selic para os menores patamares da história – hoje em 4,25% ao ano. Ainda assim, com baixa competição, as taxas cobradas do consumidor ainda são uma das maiores do mundo. O que pode mudar a partir de agora.

O economista Carlos Antonio Rocca, coordenador do Centro de Estudos de Mercado de Capitais da Fipe (Cemec-Fipe), destaca que uma das medidas com capacidade para elevar o volume de credito para empresas é a duplicata eletrônica que praticamente elimina o risco de fraude e dá mais credibilidade ao processo.

“Com a duplicata eletrônica, há agentes que vão acompanhar o processo desde a emissão da nota fiscal e da duplicata até o uso do documento como garantia”, diz Rocca. Com a duplicata de papel, a empresa poderia apresentar o mesmo documento em mais de uma instituição, o que aumentava o risco da operação. 

A maior transparência do documento digital dará ao recebível inúmeras possibilidades de antecipação como a compra dos papéis por fundos de investimentos e a venda em mercado secundário. Tudo isso resulta em maior oferta de crédito.

O sistema de antecipação de desconto de duplicatas, no entanto, ainda está sendo estruturado. Segundo o diretor executivo de Inovação, Produtos e Serviços Bancários da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Leandro Vilain, neste momento, o setor está definindo junto com o Banco Central como será a infraestrutura deste novo modelo, que é bastante complexa. “Digamos que isso tudo ainda está na prancheta. Ainda não começamos a obra e deve demorar cerca de um ano para começar a operação.”

Novas fintechs

Outro fator que deve aumentar a concorrência, segundo Rocca, é o surgimento das fintechs. Segundo dados da plataforma de inovação Distrito, o Brasil tem hoje 1.211 fintechs – 40 a mais do que em dezembro de 2020. Desse total, 174 são fintechs voltadas para o mercado de crédito, que é a segunda categoria com maior número de empresas, atrás apenas do segmento de meios de pagamento (181). A maior parte das fintechs de crédito é, de fato, de oferta de empréstimo. Mas há uma série de empresas de marketplace que reúne uma série de linhas de crédito numa única plataforma.

Elitista

Na avaliação do diretor financeiro da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), Renan Schaefer, o Brasil tem uma grande oportunidade de criar uma grande disrupção no mercado de crédito, com produtos inovadores e maior competição entre as instituições. “O Open Banking, por exemplo trará grandes benefícios para o mercado. A expectativa é que o crédito avance entre 10% e 30% em relação ao volume atual de crédito do País.”

Com as inovações regulatórias, o presidente da Associação Brasileira de Crédito Digital, Rafael Pereira, cofundador da fintech de crédito Open, vê o mesmo potencial de universalização que a privatização trouxe para a telefonia, com a portabilidade. Para ele, o sistema financeiro ficou muito elitista ao longo dos anos e excluiu muita gente por causa das tarifas elevadas. 

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