Joedson Alves/Reuters - 28/2/2019
Joedson Alves/Reuters - 28/2/2019

Com baixo crescimento em 2018, País já começou 2019 sem fôlego

Segundo pesquisadora do Ibre/FGV, até por razões estatísticas, governo não deve ter bons resultados na economia este ano, mesmo se atividade acelerar no segundo semestre

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2019 | 08h51

RIO - Com a paralisia no fim de 2018 e no início de 2019, a tendência é que este seja um ano perdido para a economia. Até mesmo por razões estatísticas, mesmo que a atividade se acelere no segundo semestre, o mais provável é que o governo Jair Bolsonaro não tenha um bom número de crescimento econômico para apresentar em seu primeiro ano de governo.

Segundo Juliana Cunha, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), o baixo crescimento no quatro trimestre de 2018 (alta de apenas 0,1% ante o terceiro trimestre) reduziu o “carregamento estatístico” do ano passado para o atual.

Isso quer dizer que, se o nível do Produto Interno Bruto (PIB, valor de todos os produtos e serviços produzido no País) do encerramento de 2018 fosse repetido em cada trimestre de 2019, sem variação, a média da atividade econômica deste ano ficaria pouco acima da do ano anterior.

Em 2017, a economia foi acelerando trimestre a trimestre, lembrou Juliana. Em 2018, ocorreu o contrário. A atividade começou mais forte e, principalmente a partir da greve dos caminhoneiros, em maio, perdeu força. Dessa forma, começou 2019 sem fôlego.

Como os primeiros dados antecedentes da atividade, como a maioria dos indicadores de confiança, seguiram ruins em abril e maio, uma aceleração da economia ficaria para o segundo semestre.

Só que, chegar ao fim do ano mais acelerada não bastaria para a economia fechar, na média do ano, muito acima de 2018, mesmo que empresários e consumidores já vejam “as coisas acontecendo” no terceiro e no quarto trimestres. “As taxas dos trimestres poderão estar boas, mas (variação) do ano carregará o desempenho ruim do início do ano”, explicou Juliana.

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