Com benefícios generosos, CBMM nunca teve uma greve

Empresa paga bônus para todos os funcionários, banca 80% das mensalidades escolares e constrói casas em mutirão

José Maria Mayrink, enviado especial,

04 de novembro de 2013 | 02h12

ARAXÁ (MG) - O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Araxá, José dos Reis Silva, o Tiguinho, de 55 anos de idade e 34 de empresa, carrega o nome da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) na manga direita da camisa. Salário em torno de R$ 6 mil, dois filhos estudando Engenharia em universidades federais, ele fala com orgulho da empresa.

"Faço papel de mediador e sempre temos conseguido bons resultados", informa o sindicalista, ao revelar que, em 16 anos na presidência, nunca teve motivo para fazer greve. "A CBMM não pode servir de paradigma, é exemplo raro no Brasil", acrescenta. Empresa e funcionários se juntam para construir casas em mutirão, mais de 400 unidades já entregues.

Cerca de 70% do orçamento de Araxá (R$ 241 milhões em 2013) vêm da CBMM. A marca da companhia está por toda parte, da ajuda ao Araxá Esporte Clube à colaboração com projetos comunitários, numa cidade de vida cultural expressiva. Ali viveu Dona Beja, a bela mulher que no século 19 chegou de Formiga (MG), fez fortuna e, mãe solteira, apaixonou senhores milionários da região. Ganhou um museu no sobrado colonial que construiu na praça da matriz e uma fonte radioativa no Grande Hotel, inaugurado na década de 1940, com cassino e salões de baile, quando o jogo era legal. Terra de doces caseiros e cachaça artesanal, esse município de quase 100 mil habitantes atrai turistas de cidades e Estados vizinhos, principalmente nos períodos de férias e nos fins de semana.

Quem visita a cidade pode programar um passeio pelas instalações da CBMM, a dez quilômetros do centro, para conhecer o viveiro de árvores do cerrado e o criadouro de animais silvestres, como antas, macacos, lobos-guará, emas e araras.

"A área da CBMM tem 50 % mais árvores hoje do que quando começou a exploração da mina", diz o presidente da companhia, Tadeu Carneiro. Não se vê poluição e, se existe poeira, é por causa das obras de ampliação das unidades de produção. Na terça-feira da semana passada, Carneiro pegou o celular e telefonou na hora para comunicar ao controle do meio ambiente que um caminhão basculante soltava fumaça na mina.

Uma escolinha inaugurada há mais de 30 anos em convênio com a Universidade Federal de Viçosa recebe crianças de três meses a cinco anos de idade. Elas são atendidas em tempo integral e estudam inglês enquanto são alfabetizadas. A assistência dos educadores continua, quando são matriculadas em escolas regulares. A CBMM paga até 80% das mensalidades de estabelecimentos particulares e de cursos de idiomas.

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