Com blecaute, trânsito caótico e arrastão

Maiores cidades do Nordeste viveram dia de engarrafamentos, falhas nas comunicações e apelo aos geradores em hospitais e aeroportos

O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2013 | 02h10

Trânsito caótico, lojas fechando as portas mais cedo, hospitais sem energia, indústrias paradas e até arrastões foram os efeitos do apagão que atingiu ontem todos os Estados do Nordeste. Clientes das operadoras de telefonia na região também relataram dificuldades para fazer ligações telefônicas e de conexão à internet.

Em Salvador, o efeito mais visível do apagão, que começou às 15h08, estava nos grandes engarrafamentos - todos os semáforos ficaram apagados até às 16h20, quando a energia começou a retornar - embora, no início da noite, muitos deles ainda continuassem sem funcionar.

Shopping centers fecharam as portas mais cedo. No Polo Industrial de Camaçari, na região metropolitana, funcionários foram liberados de algumas fábricas, por medida de segurança. Diversas instituições de ensino, entre escolas públicas e privadas e universidades, suspenderam as aulas do período após meia hora sem energia. O procedimento foi adotado, também, em muitos escritórios do centro financeiro de Salvador.

Pelo menos dois arrastões foram registrados pela polícia em Salvador durante o apagão. Os assaltantes aproveitaram a falta de energia para atacar pessoas que aguardavam em estações de ônibus movimentadas. "Nem consegui perceber direito o que houve", conta a secretária Marluce Cerqueira, de 44 anos, que havia acabado de desembarcar nas imediações do Shopping Iguatemi. "Houve uma correria e alguém puxou minha bolsa, que arrebentou e caiu no chão. Por sorte, não levaram." Na outra ação, no centro de Salvador, um homem acabou esfaqueado durante a ação de outro grupo. O estado de saúde dele não foi informado.

A situação nas maiores cidades da região ficou mais complicada pelo fato de o apagão ter acontecido bem próximo do horário de pico, quando as pessoas deixam o trabalho. Em Teresina, o técnico de informática Claudio Luiz Barbosa disse que todo o seu trabalho ficou parado por causa dos engarrafamentos, já que faz atendimentos a domicílio. "Procuramos andar em ruas onde não tem semáforos, porque estava tudo engarrafado. Além do mais, todo o serviço que estava sendo feito no escritório ficou parado", disse.

A dificuldade de comunicação também trouxe transtorno para os moradores da região. De acordo com a autônoma Simone Lucena, que mora no bairro Casa Amarela, no Recife, o serviço das operadoras de telefonia ficou impraticável durante o apagão. "Fiquei incomunicável", disse.

Geradores. Para funcionar, os hospitais da região tiveram de recorrer aos geradores, mas alguns serviços acabaram sendo prejudicados. Em Teresina, Carlos Iglesias, diretor do Hospital Getúlio Vargas, o maior do Piauí, disse que a falta de energia deixou a instituição de sobreaviso. "Os geradores funcionam automaticamente quando falta energia. Mantivemos funcionando as UTIs, o centro cirúrgico e a ressonância magnética do hospital. O restante, fica tudo parado, sobretudo a área administrativa", disse.

Os aeroportos da região, como o Augusto Severo, no Rio Grande do Norte, e o Pinto Martins, no Ceará, também tiveram de recorrer aos geradores. / TIAGO DÉCIMO (SALVADOR), LAURIBERTO BRAGA (FORTALEZA), ANNA RUTH DANTAS (NATAL), LUCIANO COELHO (TERESINA), ERNESTO BATISTA (SÃO LUÍS), CARLOS NEALDO (MACEIÓ)

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