Com bloqueio de rodovias, já faltam produtos em supermercados

Os bloqueios de rodovias federais em Mato Grosso prejudicam a economia do Estado e começa a faltar produtos nas prateleiras dos supermercados, como óleo de soja, por exemplo, entre outros gêneros alimentícios. Incentivador do movimento "Grito Ipiranga", iniciado em 21 de abril, o governador e produtor de soja e algodão, Blairo Maggi, quer a suspensão das manifestações, que já afetam a arrecadação estadual. O movimento de cargas nas estradas caiu 50%. Em decorrência da crise no agronegócio, o Estado fechará o ano com um déficit de R$ 600 milhões nas contas públicas. Maggi pediu aos presidentes de sindicatos rurais uma trégua ao governo federal nos bloqueios nas rodovias até a próxima quinta-feira, 25, quando será anunciada a proposta da União ante os pedidos de oito governadores, feito na terça-feira, para socorrer o setor agrícola. "Peço este voto de confiança. Chegamos ao limite para o Estado não morrer sufocado. Reconheço a legitimidade do movimento, mas é hora de dar uma trégua."Apesar do apelo do governador - de deter apenas as cargas de produtos agrícolas nas saídas dos armazéns, e liberar as rodovias - os agricultores continuarão mobilizados. A decisão foi tomada em reunião ocorrida nesta quinta-feira na Federação da Agricultura do Estado (Famato). "Não vamos recuar, apenas avançar na nossa estratégia. Continuaremos com os bloqueios somente de carga para não perdermos o foco do nosso movimento. Precisamos de idéias e criatividade até nas reivindicações", disse o presidente da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja), Rui Prado. O protesto, iniciado em Mato Grosso contra a política agrícola do governo, teve adesão de agricultores em São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul e Tocantins. "Essa é hora de sermos inteligentes, vamos dar uma trégua, mas continuar mobilizados", disse o presidente da Famato, Homero Pereira.Mandado de segurança O Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Mato Grosso (Sindifrigo) impetrou mandado de segurança contra o Instituto Nacional de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea/MT) porque os pecuaristas aderiram ao movimento e fecharam 51 escritórios desde segunda-feira. Com o fechamento das unidades do Indea, ficam suspensas as emissões das Guias de Transporte Animal (GTAs), utilizadas pelos frigoríficos para transportar os animais das propriedades rurais para os locais de abate.Há uma semana o juiz da 1ª Vara Federal de Mato Grosso, Julier Sebastião da Silva, determinou a desobstrução da rodovia Cuiabá-Santarém. Mesmo assim, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou bloqueios impedindo a passagem de caminhões carregados com produtos e insumos agrícolas nas BRs- 163 e 364, que ligam Mato Grosso às regiões Sudeste, Norte e Centro-Oeste.Rio Grande do SulOs bloqueios de estradas em vários pontos do Rio Grande do Sul já causam desabastecimento no interior do Estado. Desde o início dos protestos, na terça-feira, várias cidades gaúchas começam a sentir o reflexo das paralisações nas rodovias estaduais e federais, causando transtornos para comerciantes, viajantes, universitários e o trânsito em geral.Um dos exemplos foi o cancelamento, pela Universidade de Ijuí (Unijui), das aulas nos turnos das noite em todos os seus campi e núcleos universitários, já que os ônibus com os alunos ficam trancados nas rodovias. Em Carazinho na Região do Alto Jacuí, no entroncamento das BRs 285 e 386, a juíza da 3ª Vara Cível do município, Marlene de Souza, determinou a liberação do trecho para a passagem de ônibus, veículos dos Correios e caminhões com cargas perecíveis.Se a ordem não for cumprida, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), o Sindicato Rural e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Carazinho, que são os responsáveis pelos protestos, terão que pagar uma multa diária de R$ 30 mil.Em São Luiz Gonzaga, na Região das Missões, a 505 quilômetros de Porto Alegre, o trevo de acesso à cidade, na BR 285 com a RS-168, também encontra-se bloqueado. O comércio local fechou as portas.

Agencia Estado,

18 de maio de 2006 | 15h14

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