Com boa oferta de biodiesel, ANP prevê mudança tranquila para B5

Os próximos leilões de biodiesel da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) já deverão ser realizados considerando um mercado de B5, um combustível composto por 95 por cento de diesel e 5 por cento do renovável.

REUTERS

28 de agosto de 2009 | 18h10

Segundo afirmou nesta sexta-feira o superintendente de Abastecimento da ANP, Edson Silva, o resultado do leilão da véspera, provavelmente "o último para B4", indica que o país terá uma "transição" tranquila para um esperado aumento da mistura do biocombustível no diesel, que deverá ser definida em setembro pelo governo.

"Deveremos realizar o próximo leilão em outubro, para abastecer o primeiro trimestre do próximo ano, que já deve ser com 5 por cento", afirmou Silva, em entrevista por telefone.

No leilão de quinta-feira, os produtores ofertaram 685 milhões de litros de biodiesel, e a Petrobras e a refinaria Alberto Pasqualini (Refap) adquiriram 460 milhões de litros, volume que deve garantir o abastecimento para os últimos três meses do ano.

O leilão registrou um deságio de 1,48 por cento, e o produto foi comercializado a um preço médio ponderado de 2,27 reais por litro.

"Creio que está remunerando bem (aos produtores). O fato de ter todo o volume ofertado, e ter tido oferta bem superior ao limite, acho que é uma prova de que o preço corresponde", comentou Silva, destacando que as entregas do total leiloado para o terceiro trimestre estão regulares, atingindo um nível recorde de adimplência de 94 por cento.

Dessa forma, afirmou Silva, o país demonstra estar maduro para o aumento da mistura, até porque a capacidade instalada de produção é superior à demanda.

"Diria que todas as condições estão dadas para começar o B5 em 1o de janeiro de 2010", declarou ele, lembrando que esse percentual da mistura estava previsto inicialmente para 2013.

Com mais biodiesel sendo misturado ao diesel, o Brasil demandará por ano cerca de 2 bilhões de litros do biocombustível, ante 1,5 bilhão de litros em 2009, disse Silva.

Ele afirmou ainda que mais de 80 por cento da matéria-prima continua sendo soja e não vê problemas quanto a isso.

"Com a desaceleração mundial da economia, estamos dando conta de produzir soja para óleo, para ração e soja para biodiesel. Aliás, a produção de biodiesel foi um bom socorro para o setor", opiniou.

Caso seja aprovada a mistura de 5 por cento, o percentual deverá permanecer ao longo de 2010, pois, segundo Silva, a indústria automobilística, por ora, apenas garante aquele nível de biodiesel no diesel.

(Reportagem de Roberto Samora)

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