Vincent Yu/AP
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Com bom humor em NY e PIB da zona do euro, mercados internacionais fecham em alta

No dia anterior, os índices americanos tiveram altas de até 2,6%, apoiados também na chance de mais estímulos na economia americana para conter os efeitos da covid

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2021 | 07h31
Atualizado 02 de fevereiro de 2021 | 19h20

As Bolsas da Ásia e da Europa fecharam em alta generalizada nesta terça-feira, 2, seguindo o bom desempenho dos mercados acionários de Nova York e de olho em negociações do governo de Joe Biden para garantir um novo pacote fiscal nos Estados Unidos em reação à pandemia da covid-19. Além disso, o bom desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro também ajudou no bom humor.

Na última segunda-feira, 1, Wall Street teve ganhos de mais de 2,6%, após os republicanos se mostrarem dispostos a negociar um novo pacote de estímulos com Biden - o mesmo cenário se repetiu hoje. A contraproposta de US$ 600 bilhões, muito abaixo dos US$ 1,9 trilhão propostos pelo presidente dos EUA, desanimou um pouco, mas ainda assim, mostrou alguma disposição dos opositores. A própria senadora republicana Susan Collins descreveu a reunião que teve com Biden como "excelente".

Para além do impulso de Nova York, indicadores macroeconômicos ajudaram a dar tom positivo às bolsas. Apesar de recuar 0,7% ante o trimestre anterior, o PIB do 4° trimestre de 2020  da zona do euro veio acima das expectativas, indicando que  impacto dos bloqueios adotados no continente por conta da pandemia foi menor do que o esperado, avalia o Julius Baer, em relatório enviado a clientes. Na Itália, o PIB do 4° trimestre do ano passado recuou 2,0%, em resultado melhor que o previsto.

Além disso, os investidores também começam a se sentir mais seguros para investir no mercado, após o movimento combinado de pequenos investidores que geraram um caos no mercado de risco. Hoje, a prata, que foi alvo da investida desses grupos depois das ações da GameStop, fechou com queda de 10,25%.

Bolsas de Nova York

Com as negociações fiscais em andamento nos EUA, as Bolsas de Nova York engataram um segundo pregão de ganhos, após o impacto dos movimentos especulativos. O Dow Jones subiu 1,57%, o S&P 500 avançou 1,39% e o Nasdaq registrou alta de 1,56%. Os investidores também mantiveram o foco na temporada de resultados corporativos, com balanços bem recebidos da ExxonMobil e da ConocoPhillips.

No mercado cambial, o índice DXY, que mede a variação do dólar contra seis pares, manteve a tendência de valorização e fechou com ganho de 0,24%, a 91,197 pontos. Segundo profissionais do Brown Brothers Harriman, o que começou com um movimento de fuga do risco na semana passada está se transformado em "algo maior", com o dólar em alta ante o euro mesmo em pregão de ganhos para o mercado acionário.

Bolsas da Ásia 

A Bolsa de Tóquio subiu 0,97%, impulsionada por ações de fabricantes de autopeças e ligadas ao setor ferroviário, enquanto a de Hong Kong teve ganho de 1,23% e de Seul subiu 1,32% em Seul. A Bolsa de Taiwan subiu 2,27% e as chinesas Xangai e Shenzhen tiveram ganhos de 0,81% e 0,66% cada.

Na Oceania, a Bolsa australiana também ficou no azul, com alta de 1,51%, após o banco central local, o RBA, decidir manter seu juro básico na mínima histórica de 0,10%, mas ampliar seu programa de compras de bônus em 100 bilhões de dólares australianos (US$ 76 bilhões).  

Bolsas da Europa 

O bom humor também predominou no mercado da Europa. O índice pan-europeu Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, fechou com alta de 1,36%, enquanto a Bolsa de Londres subiu 0,78%, a de Paris, 1,86% e a de Frankfurt, 1,56%. MilãoMadri e Lisboa tiveram altas de 1,11%, 1,96% e 0,26% cada.

Petróleo 

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta hoje, impulsionados por relatos de disciplina no cumprimento do acordo de corte na oferta por parte da Organização dos Países Exportadores de  Petróleo e aliados (Opep+), que teria aumentado a oferta em janeiro menos do que o esperado. Além disso, houve otimismo dos mercados em geral, em meio às tratativas sobre um novo pacote fiscal nos EUA. Diante desse cenário, o Brent chegou a atingir a maior nível em 11 meses, e o avanço do petróleo em alguns momentos esteve próximo de 3%.  

No final do dia, o WTI para março encerrou a sessão com ganho de 2,26%, a US$ 54,76 o barril, enquanto o Brent para abril avançou 1,97%, a US$ 57,46 o barril. No fechamento da sessão desta terça, a alta do dólar conteve os avanços do preço do barris. O fortalecimento da moeda americana perante os pares durante a sessão torna o petróleo mais caro para detentores de outras divisas, o que reduz a demanda./ MAIARA SANTIAGO, SERGIO CALDAS, MATHEUS ANDRADE E GABRIEL CALDEIRA

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