Kazuhiro Nogi/AFP
Kazuhiro Nogi/AFP

Com Brexit e vacina, mercados internacionais fecham em alta, mas Nova York cai

Pesou no mercado americano o impasse em torno da aprovação de estímulos fiscais, após novo embate entre democratas e republicanos sobre o tema

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2020 | 07h35
Atualizado 09 de dezembro de 2020 | 18h36

As Bolsas da Ásia e da Europa não tiveram direção única, nesta quarta-feira, 9, mas subiram na maioria. Entre os investidores estrangeiros, o otimismo com a chance de vacina contra a covid-19  e também por um acordo econômico pós-Brexit prevaleceu, mas o avanço de casos da doença e algum movimento de realização de lucros atrapalhou os ganhos. Em Nova York, no entanto, o clima foi de perdas, devido ao impasse por estímulos e queda das ações de tecnologia.

Notícias recentes, em geral positivas sobre as vacinas contra a covid-19, têm apoiado o humor de investidores. Analistas alertam, contudo, que a logística para a aplicação será complexa, sobretudo nos meses iniciais, e com isso o impacto econômico direto pode demorar mais. Nesta quarta, a chanceler alemã Angela Merkel, adotou um tom cauteloso, ao defender mais restrições à circulação em toda o país diante dos números da pandemia

Ainda no continente europeu, o Brexit, nome que se dá a saída do Reino Unido da União Europeia, foi um dos principais focos. Na noite desta quarta, o premiê britânico, Boris Johnson, vai se reunir com o comando da UE em Bruxelas para tentar um acordo sobre questões pendentes, entre elas os acordos para comércio equânime, resolução de conflitos por arbitragem e pesca nos limites territoriais. 

Na agenda de indicadores, o índice de preços ao consumidor chinês (CPI) recuou 0,5% em novembro, na comparação anual, ante expectativa de estabilidade dos analistas. Para a Capital Economics, o dado não é motivo de preocupação, sendo em grande medida atribuído à queda nos preços da carne de porco com o aumento da demanda recente. Já a Alemanha teve alta de 0,8% em outubro ante setembro nas suas exportações, abaixo da previsão de aumento de 1,4% dos analistas ouvidos pelo The Wall Street Journal.

Bolsas de Nova York

As bolsas de Nova York fecharam em queda hoje, em meio à deterioração das negociações por uma nova rodada de estímulos fiscais nos Estados Unidos. Nesta quarta, o líder republicano Senado, Mitch McConnell, criticou a postura dos democratas, um dia após a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, o acusar de atrapalhar o processo. Ele sugeriu que cada um dos lados desista de seus principais prioridades, como forma de concessão. Para a oposição, isso seria apoio financeiro a Estados e municípios e, para o governo, proteção jurídica a empresas com funcionários que contraiam covid-19.

O índice Dow Jones fechou em baixa de 0,35%, o S&P 500 cedeu 0,79% e o Nasdaq recuou 1,94%, também em processo de realização de lucros após recordes históricos recentes. As perdas foram lideradas pelas grandes empresas do setor de tecnologia, depois que um grupo de 48 procuradores-gerais protocolaram ação judicial antitruste contra o Facebook. Os papeis de Apple caíram 2,17%, Amazon, 2,30% e Microsoft, 1,95%.

Bolsas da Ásia 

Na China, a Bolsa de Xangai fechou em baixa de 1,12%, e a de Shenzhen caiu 1,88%, com a realização de lucros de setores que haviam mostrado ganhos recentes. Em Tóquio, o índice Nikkei subiu 1,33%, aos 26.817,94 pontos, no nível de fechamento mais alto desde abril de 1991. Em Hong Kong, o índice Hang Seng registrou alta de 0,75%, com o ganho de 4,4% da empresa de tecnologia Xiaomi.

O sul-coreano Kospi fechou com ganho de 2,02%, com recorde diário, enquanto em Taiwan, o índice Taiex subiu 0,21%. Na Oceania, na Bolsa australiana o índice S&P/ASX 200 subiu 0,61%, terminando também no nível mais elevado em quase dez meses. Ações ligadas a telecomunicações e ao consumo discricionário se saíram bem em geral. 

Bolsas da Europa 

Com a vacinação contra a covid-19 continuando pelo segundo dia seguido no Reino Unido, o índice pan-europeu Stoxx 600 teve alta de 0,32%, enquanto a Bolsa de Frankfurt registrou a alta mais pronunciada no continente, de 0,47%, amparada pelo bom desempenho do setor petroquímico. Londres e Lisboa tiveram ambas ganho de 0,32%, e Madri subiu 0,09%.

Já a Bolsa de Paris cedeu 0,25%, com a baixa das ações de tecnologia e de empresas de componentes eletrônicos, apesar da alta das montadoras. Milão também fechou em queda, com perda de 0,38%.

Petróleo 

Os contratos futuros de petróleo fecharam sem direção única nesta quarta-feira, após o Departamento de Energia (DoE) dos Estados Unidos informar inesperada alta nos estoques da commodity no país. Segundo o órgão, os estoques nos EUA subiram 15,189 milhões de barris na semana passada e surpreenderam os analistas ouvidos pelo The Wall Street Journal,que previam queda de 1,2 milhão de barris no período.

A deterioração das negociações por novo pacote fiscal em Washington também ajudou a compor o cenário de aversão ao risco, mas as perspectivas pela vacinação contra o coronavírus atenuaram as perdas. Com isso, o WTI para janeiro fechou em baixa de 0,18%, em US$ 45,52 o barril, enquanto o Brent para fevereiro fechou em leve alta de 0,04%, a US$ 48,86 o barril./ MAIARA SANTIAGO, EDUARDO GAYER E PEDRO CARAMURU

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