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'Com câmbio no nível atual, Selic a 11% pode baixar a inflação', afirma LCA

Para Bráulio Borges, BC também pode contar com a política fiscal, que estaria mais restritiva, mesmo 2014 sendo ano de eleição

O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2014 | 02h03

Na avaliação de Bráulio Borges, economista-chefe da consultoria LCA, o Banco Central agora conta com a política fiscal e com o câmbio e pode dar uma trégua no aperto do juros: "Se tudo isso for permanente, 11% de Selic são suficientes para trazer a inflação para perto de 5% no ano que vem", diz, na entrevista que segue:

A Ata do Copom indica que o ciclo de alta do juros está chegando ao fim. Depois da inflação de março, o que deveria ser feito?

Inflação não depende somente de política monetária - juro propriamente dito. Depende de vários outros fatores. Um deles é a política fiscal. No horizonte que o BC trabalha hoje - 2014, 2015, comecinho de 2016 -, a política monetária vai ser menos expansionista. Inclui o que se chama de política quase fiscal ou parafiscal, como o crédito concedido por bancos públicos. Essa política fiscal/parafiscal já está se deslocando para a neutralidade em 2014. Os bancos públicos estão pisando no freio na concessão de crédito e o governo vai entregar um primário maior. Embora seja aquém do desejado, será um aperto em ano eleitoral. No ano que vem, será ainda mais fácil fazer política fiscal contracionista. Isso, junto com a política monetária, ajuda a trazer a inflação para baixo. O terceiro elemento, é o câmbio. Hoje, o cenário de inflação do mercado, que é IPCA neste ano de 6,2% e no ano que vem de 5,8%, embute um câmbio a R$ 2,55 no final do ano que vem. Se por ventura - isso é uma simulação - o câmbio ficar nos R$ 2,20, o IPCA no ano que vem irá para perto de 5%. O BC, em outros ciclos de aperto, contou com o câmbio. Um dos efeitos do juro é gerar a valorização do câmbio. Isso não aconteceu no ciclo atual até janeiro, fevereiro deste ano, porque no meio do caminho veio a discussão sobre a mudança de política no Estados Unidos. O câmbio agora parece estar se estabilizando em R$ 2,20 porque está entrando muito dinheiro no Brasil atrás do juro elevado.

Seria o momento de interromper o ciclo de alta?

Seria o momento se houver confiança de que o câmbio está mais para R$ 2,20 do que para R$ 2,50, como o mercado projeta hoje para o ano que vem. A questão que tem de ser respondida é essa: qual o patamar do câmbio olhando 2014 e 2015? É muito difícil responder a pergunta - e ela faz toda a diferença. No ano que vem, provavelmente, o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) vai subir o juro. Mas isso não significa que o câmbio vai depreciar. A mudança não estava precificada em abril do ano passado e gerou aquele chacoalhão. Mas agora, quando a gente faz umas continhas aqui - não usamos só a intuição, fazemos conta -, a perspectiva de alta de juro no Estados Unidos já está precificado na taxa de câmbio brasileira. Cabe a nós determinar se tudo isso é transitório ou permanente. Se for permanente, 11% de Selic são suficientes para trazer a inflação para perto de 5% em 2015.

Vocês também estariam levando em consideração que alguns itens que pesaram na inflação não são afetados pelos juros. É isso mesmo?

O choque de oferta, por exemplo, ocorreu por razões climáticas e pesou no IPCA de março. Na questão climática, o importante é identificar se o efeito é permanente ou temporário. Ao que parece, é temporário. Afetou culturas de ciclos curtos, como o tomate. Falta agora, mas em um mês a produção recupera. O problema é que com o Brasil tem mecanismos de indexação formais e informais espraiados pela economia que geram uma resistência maior da inflação. / A.S.

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