Com capitalização da Petrobrás, bolsa deve deslanchar

Historicamente, curva da estatal e do Ibovespa andam juntas

Roberta Scrivano, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2010 | 00h00

Com o início das negociações das novas ações da Petrobrás nesta semana, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tende a entrar em trajetória de alta e deve fechar o ano com rentabilidade melhor que a esperada, segundo especialistas no mercado acionário.

O motivo para a afirmação é simples: o Ibovespa, principal índice da bolsa paulistana e formado com base na cotação de papéis de diversas empresas, é fortemente impactado pelos movimentos da Petrobrás - que, ao lado da Vale, tem papéis com maior peso na formação do índice. Isso quer dizer que, se a capitalização da Petrobrás reagir como projetado pelos especialistas, o Ibovespa vai embalar na mesma reação positiva.

"O que segurou o Ibovespa neste ano foi justamente a capitalização da Petrobrás, que demorou a sair", diz o administrador de investimentos Fábio Colombo. "A capitalização foi fundamental para a bolsa. Agora, as perspectivas do mercado acionário brasileiro são muito positivas", completa Celso Grisi, professor de finanças da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi).

Até o início do mês, antes da publicação do prospecto que dá início à capitalização, os papéis da Petrobrás somavam quase 30% de queda no ano. O Ibovespa seguia o mesmo nível de recuo (veja a proximidade das duas curvas no gráfico acima).

Ricardo Almeida, professor de finanças do Insper (ex-Ibmec São Paulo), que está acompanhando o processo de capitalização de perto, afirma que daqui em diante a Petrobrás vai apresentar rentabilidade normal ou até um pouco maior.

Almeida explica que, tecnicamente, "rentabilidade normal" quer dizer ganhos de 5,7% ao ano acima da média da renda fixa. "A hipótese de a Petrobrás ter ganhos mais expressivos depende do cumprimento dos cronogramas do plano estratégico de investimentos", comenta o professor do Insper.

Exercer as atividades previstas dentro da data, diz Almeida, é uma forma de demonstrar ao mercado que prazos são cumpridos e que a exploração do petróleo da camada pré-sal está mesmo no foco da empresa.

Entre os analistas consultados, George Sander, estrategista de Renda Variável da Infinity Asset Management, é o menos otimista em relação ao desempenho da Petrobrás e da bolsa brasileira. "O mercado vai se arrastar por um tempo", avalia. No processo de capitalização, a estatal distribuiu 4,3 bilhões de novas ações, entre ordinárias e preferenciais.

Mas Sander concorda que a Petrobrás pode demonstrar uma boa reação com a capitalização, que vai impulsionar fortemente o seu poder de investimento. "E o Ibovespa só anda se a Petrobrás andar também."

Nova capitalização. Segundo Sander, na sexta-feira intensificaram-se "boatos" sobre uma nova capitalização para a Petrobrás. "Comentaram muito que a companhia precisa de mais R$ 50 bilhões e que esse montante poderia ser captado no mercado já em janeiro de 2011", diz o analista. "Se isso realmente acontecer, viveremos uma ressaca de Petrobrás até haver a nova capitalização", completa.

Almeida, do Insper, e Grisi, da Fipecafi, confirmam a existência de comentários sobre uma nova capitalização. Para ambos, no entanto, o novo processo seria menos turbulento que o ocorrido agora. "Realmente pode faltar dinheiro para a Petrobrás; mas não R$ 50 bilhões, menos que isso", acredita Ricardo Almeida. "De qualquer forma, não creio que faltará no ano que vem, nem no outro."

Grisi acredita que, se de fato houver a necessidade de uma nova capitalização a partir de 2012, "não existirá o estresse que ocorreu desta vez". Almeida concorda. "O pré-sal já vai gerar frutos. Não estou falando em produção, mas de boas notícias que devem estimular os resultados da companhia. Além disso, a crise internacional já terá passado."

O professor da Fipecafi diz ainda que será cada vez mais normal e recorrente a Petrobrás se capitalizar por meio da emissão de novas ações. "Não há motivo para a empresa procurar um banco para pedir empréstimo para fazer investimentos." O principal motivo para evitar as instituições financeiras, segundo Grisi, é para que não haja o aumento do nível de endividamento da empresa.

PARA LEMBRAR

Com a conclusão do processo de capitalização da Petrobrás, a Bolsa de Valores de São Paulo

tornou-se a segunda maior do mundo em valor de mercado (R$ 30,4 bilhões pela cotação da última quinta-feira).

Segundo o presidente da bolsa paulista, Edemir Pinto, agora a BM&F Bovespa só está atrás da Bolsa de Hong Kong.

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