Com cautela, Obama e McCain saúdam aprovação de pacote

Democrata cobra 'sabedoria' do governo; republicano diz que plano sozinho 'não basta'.

Da BBC Brasil, BBC

03 Outubro 2008 | 18h24

Os dois principais candidatos à Presidência americana, o democrata Barack Obama e o republicano John McCain, adotaram um tom de cautela ao manifestar satisfação pela aprovação nesta sexta-feira do pacote de US$ 700 bilhões para ajudar empresas afetadas pela crise econômica nos Estados Unidos. Obama cobrou "sabedoria" do governo liderado pelo presidente George W. Bush na hora de usar o dinheiro do pacote. "Fico contente de ver que finalmente lidamos com isso", disse o democrata. "A coisa mais importante é que o governo use essa autoridade com sabedoria e se assegure que o secretário (do Tesouro, Henry) Paulson e outros adquiram esses ativos de forma a proteger os contribuintes." McCain, rival de Obama na disputa pela Presidência, também saudou a sanção do pacote, mas disse que o plano sozinho não basta e que mais ações são necessárias. "Esse pacote de resgate não é perfeito. É um insulto que isso seja necessário", afirmou o republicano. "Nossa economia ainda está sofrendo, sofrendo muito. É preciso fazer mais e não deveria ser uma crise o motivo para fazer esse país agir." O pacote prevê que o dinheiro seja usado pelas autoridades americanas para comprar papéis podres em poder de empresas, melhorando o caixa delas e, conseqüentemente, aumentando a liquidez do mercado. Fed O presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), Ben Bernanke, foi outro que reagiu positivamente à aprovação da proposta bilionária, que foi sancionada pelo presidente George W. Bush. "Isso demonstra o compromisso do governo em fazer o que for necessário para apoiar e fortalecer nossa economia", disse. "A legislação é um passo importante para a estabilização de nossos mercados financeiros e para garantir um fluxo constante de crédito para nossos lares e empresas", acrescentou Bernanke "Agora, o governo federal pode começar a adotar medidas fortes para restaurar o fluxo de crédito", disse Steny Hoyer, líder democrata na Câmara dos Representantes (deputados federais). "Espero que o que ocorreu hoje afaste o pior cenário, o da total paralisação do mercado de crédito, o que poderia ter conseqüências devastadoras sobre o emprego e o crédito ao consumidor e também aumentar o número de arresto de imóveis", acrescentou. "Está claro que, com a participação de ambos os partidos e casas legislativas, melhoramos de forma significativa a proposta original", concluiu Hoyer. Socialismo O deputado republicano Jeb Hensarling, por outro lado, questionou a lógica do pacote de US$ 700 bilhões. "Como podemos ter capitalismo, de um lado, e socialismo, do outro?", disse, referindo-se à intervenção maciça do mercado na economia - algo associado a regimes socialistas. Na Europa, o primeiro-ministro francês François Fillon - cujo país será sede neste sábado de uma reunião de emergência com líderes de Itália, Grã-Bretanha e Alemanha sobre a crise financeira - disse que apenas uma ação conjunta pode reverter a situação. "O mundo está à beira do abismo por causa de um sistema irresponsável", disse Fillon. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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