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Com cautela, Pão de Açúcar vai acelerar investimentos

Depois de apresentar um lucro líquido quase três vezes maior no primeiro trimestre, como fruto de alta nas vendas e controle de gastos, o grupo Pão de Açúcar se diz "pronto para crescer", ainda que com cautela.

TAÍS FUOCO, REUTERS

12 de maio de 2009 | 13h41

A companhia reduziu investimentos no primeiro trimestre, mas já "avalia uma aceleração" para os próximos trimestres, segundo Enéas Pestana, vice-presidente administrativo financeiro do grupo, em teleconferência com a imprensa nesta terça-feira.

A empresa registrou ganhos de 94,9 milhões de reais entre janeiro e março, ante o lucro de 33,2 milhões em igual trimestre do ano passado.

"Estávamos preparados para um cenário de crise, era preciso cautela, mas é uma satisfação de chegar a maio e poder apresentar um trimestre com números tão bons", disse Pestana.

Segundo ele, "ninguém está dizendo que não existe crise, mas o que podemos dizer hoje é que o Brasil, e a nossa companhia em especial, têm conseguido atingir um nível de performance muito bom", acrescentou.

Pestana afirmou que o Pão de Açúcar atingiu no trimestre "o patamar mais baixo de despesa que essa companhia pode vivenciar em toda a sua história", o que possibilita um novo patamar de agressividade em termos de preços e promoções.

Ele ressaltou que "em cenário de crise você ter as despesas controladas é uma força que a gente não pode e não vai abrir mão".

CAUTELA NOS INVESTIMENTOS

Depois de reduzir investimentos para 100,3 milhões de reais, sobre os 123,8 milhões aplicados no mesmo trimestre de 2008, o grupo já avalia uma aceleração nos aportes, depois dos bons resultados do período.

"Estamos sendo absolutamente cautelosos, vamos continuar a investir na bandeira Assai e na Extra Fácil, que são investimentos reduzidos e provocam uma expansão de mercado muito mais acelerada", afirmou Pestana.

De qualquer forma, o conselho aprovou no início do ano um investimento total de até 1,324 bilhão para todo o ano 2009. "A política é de cautela, mas dá tempo de acelerar no segundo semestre e a tendência é que seja um patamar mais elevado nos demais trimestres", completou.

O executivo se recusou a fazer comentários sobre uma possível aquisição do Ponto Frio, rede de varejo colocada à venda pelos controladores.

Mas lembrou que, em relação a essa ou a outras possíveis aquisições, "a companhia está muito preparada para não perder nenhuma oportunidade", já que criou um grupo para avaliar fusões e aquisições no ano passado e tem baixo nível de endividamento.

Com dívida líquida ao redor de 0,5 vez o Ebitda, a empresa entende que "sob qualquer análise, é um endividamento baixo, que permite alavancagem", disse Pestana.

Segundo ele, a empresa não precisa de recursos para o crescimento orgânico, mas, "numa eventual aquisição temos espaço para buscar essa alavancagem". Se vai ser dívida ou equity, disse ele, "é uma decisão técnica que tem de ser validade pelo acionista, mas tem espaço para as duas coisas".

NOVO NEGÓCIO IMOBILIÁRIO

A companhia varejista informou estar concluindo a segregação dos ativos da área imobiliária em uma nova companhia.

"Ainda não é um spin-off, uma cisão com vistas a abrir o capital ou coisa que o valha, mas a decisão de gerir esse negócio como negócio está absolutamente consolidada, não se discute mais", informou Pestana.

O diretor executivo Caio Mattar vai presidir essa nova empresa, cuja estrutura jurídica ainda está sendo montada. "Ele vem desse mercado, é engenheiro civil, tem todo o background para tocar isso e todo nosso time dessa área vai para essa empresa desenvolver e maximizar esse negócio", completou o vice-presidente.

Por considerar informação estratégica, o grupo não informa quantos terrenos controla hoje em todo o país.

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