PAULO WHITAKER/REUTERS
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Bolsa sobe pela 4ª vez seguida e fecha aos 89,6 mil pontos

Ibovespa renovou o recorde histórico com a valorização de 1,3% desta segunda-feira, 5; dólar fechou em alta de 0,7%, acima de R$ 3,72

Paula Dias e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2018 | 11h32
Atualizado 05 Novembro 2018 | 18h38

Principal índice de ações do País, o Ibovespa emplacou nesta segunda-feira, 5, a sua quarta alta consecutiva e renovou o recorde histórico ao atingir 89.598,16 pontos, com valorização de 1,33% e R$ 14,6 bilhões em negócios. No mercado cambial, pesou a cautela em relação às eleições legislativas nos Estados Unidos, levando o dólar à vista a fechar em alta de 0,74%, cotado a R$ 3,7254.

Boa parte da valorização das ações foi relacionada a ajustes após o feriado de Finados, quando o mercado brasileiro esteve fechado, mas os papéis de empresas nacionais registraram ganhos significativos nas bolsas de Nova York. À exceção do Nasdaq, o viés positivo foi mantido em Wall Street.

A atual sequência de altas do Ibovespa intensifica as discussões nas mesas de operações em torno da possibilidade de o indicador ter fôlego para se sustentar acima dos 90 mil pontos no curto prazo.

No acumulado de outubro, o saldo líquido de investimentos de estrangeiros na B3 indicou saída de R$ 6,2 bilhões. Essas retiradas foram compensadas pelo ingresso de recursos de investidores domésticos, que levaram o Ibovespa a uma alta superior a 10%, a segunda maior variação mensal do ano. 

"A tendência do Ibovespa é de alta no médio e no longo prazo, mas há riscos no curto, uma vez que estamos na contramão dos demais mercados. Como o índice está nas máximas históricas, é possível que a aversão ao risco no cenário externo o obrigue a se acoplar às bolsas internacionais", disse José Faria Junior, diretor da Wagner Investimentos.

Na análise por ações, as altas foram comandadas principalmente pelos papéis da Petrobrás, que subiram 2,96% (ON) e 3,07% (PN), também nas máximas do dia, mesmo em um dia de instabilidade dos preços do petróleo. A empresa divulga nesta terça-feira os números do seu balanço trimestral. Com as quatro altas consecutivas registradas, o Ibovespa contabiliza ganho de 6,92%.

Dólar sobe 0,7%

O mercado de câmbio voltou do feriado e operou na segunda-feira com liquidez reduzida, em meio à cautela dos investidores com eventos que acontecem esta semana. Nesta terça-feira, os Estados Unidos fazem eleições para o Congresso e, por aqui, o presidente eleito Jair Bolsonaro vai a Brasília colocar em marcha a transição de governo e se reunir com Michel Temer, na quarta-feira.

No exterior, o dólar operou em queda ante divisas de emergentes que são pares do Brasil no mercado de moedas, principalmente o México (-0,37%). Operadores ressaltam que o descompasso do real em relação a outros emergentes ocorreu porque o mercado estava fechado aqui na sexta-feira, no feriado de Finados, e o dólar subiu no exterior após a divulgação de dados fortes do mercado de trabalho dos Estados Unidos.

Os números reforçaram a previsão de mais altas de juros na maior economia do mundo. Com isso, o real teve o pior desempenho hoje perante o dólar considerando os principais mercados emergentes.

Passada a euforia inicial do mercado e a melhora da confiança dos agentes, que fizeram o real subir forte ante o dólar nas últimas semanas, o estrategista de América Latina do Société Generale, Dev Ashish, ressalta em relatório que as atenções vão crescentemente se focar no relacionamento entre o novo governo e o Congresso, que permanece altamente fragmentado. "Dada a situação da economia e das finanças públicas do Brasil, o capital político do novo governo pode não durar muito e a janela de oportunidade para implementar reformas cruciais provavelmente não é mais do que um ou dois anos", destaca ele.

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