Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

'Com certeza', diz Levy ao ser questionado se inflação irá romper teto da meta

Repórter também perguntou ao ministro se ele poderia comentar os números da inflação e resposta causou confusão: 'com certeza responderia a pergunta', brincou

Adriana Fernandes e Bernardo Caram, Agência Estado

08 de abril de 2015 | 17h15


BRASÍLIA - Escalado para anunciar a abertura de capital da área de seguros da Caixa Econômica Federal, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, acabou provocando mais uma confusão ao responder de imediato com um "com certeza" a uma pergunta sobre se a inflação iria ultrapassar o teto da meta em 2015.

Embora os economistas do mercado financeiro e o próprio Banco Central já mostrem previsões que apontam o IPCA bem acima do teto de 6,5%, o ministro acabou dando uma resposta com dupla interpretação sobre o cenário para a inflação, o que causou desconforto.

Na última pergunta da entrevista, Levy foi questionado se poderia comentar o resultado da inflação divulgado hoje e se acreditava que o IPCA iria ficar acima do teto da meta em 2015. "Com certeza", respondeu o ministro, com firmeza, para depois acrescentar: "O Banco Central tem se expressado com clareza em relação à importância do controle da inflação. Ele tem sido completo em suas explicações, o que nos dá total conforto".

A primeira impressão foi a de que Levy estava respondendo afirmativamente e de forma contundente que o IPCA estouraria a meta. Confrontado pelos jornalistas sobre o que queria dizer com a resposta, Levy esclareceu que "com certeza responderia a pergunta". "Com certeza, a respondi", brincou ele.

O IBGE divulgou que o IPCA no primeiro trimestre acumula alta de 3,83% e de 8,13% em 12 meses. O BC projetou, no relatório trimestral de inflação, uma alta de 7,9% em 2015.

Desde que assumiu o governo, o ministro tem se envolvido em confusões,  com declarações que, por vezes, desagradaram o Palácio do Planalto. Na última delas, Levy afirmou em palestra a alunos da Universidade de Chicago que a presidente Dilma Rousseff nem sempre faz as coisas da maneira mais fácil e efetiva. A conversa com os alunos vazou para a imprensa e desagradou a presidente Dilma Rousseff.

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