Com Chávez, Lula não comenta nem critica nacionalização

O assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, disse que o clima do almoço do qual participaram o presidentes venezuelano Hugo Chávez e o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta foi o melhor possível, e que Lula não fez nenhuma crítica ou alusão às tensões internas da e a nacionalização da Venezuela. Garcia afirmou também que a nacionalização de setores da economia não terá efeito nas negociações sobre a entrada do país no Mercosul. "Não há cláusula no Tratado de Assunção que proíba nacionalizações nem privatizações", afirmou. Na sua opinião, o governo Chávez também não estaria ferindo tratados de proteção a investimentos, pois "não há expropriação" de ativos na proposta. Para Garcia, "as iniciativas que foram tomadas pelo governo Chávez não configuram uma inovação do pensamento socialista, são medidas que foram tomadas em vários momentos por parte de social-democratas". Chávez com razãoO assessor deu razão a Chávez, que o criticou por fazer uma apresentação de apenas cinco minutos de um relatório sobre a Comunidade Sul-Americana de Nações (CASA) na reunião de cúpula da CASA, em dezembro, em Cochabamba, na Bolívia."A reclamação do Chávez, independentemente da forma, tem um certo fundo de verdade", disse Garcia. Ele explicou que foi designado como delegado da Casa. A representante da argentina era a senadora Cristina Kirchner, esposa do presidente Nestor Kirchner.Segundo Garcia, a proposta do documento era explicitar divergências, e não a de buscar um consenso diplomático. O problema, porém, é que o documento, elaborado ao longo de seis reuniões entre junho e dezembro de 2006, foi entregue aos governos, que o fizeram passar - segundo a expressão do assessor presidencial - por uma "rotina diplomática".Retocado por ministros e vice-ministros de Relações Exteriores, o documento teria perdido 20% do seu conteúdo inicial. "Se o documento era para os presidentes, eles deviam tê-lo examinado antes de passar pelo filtro A e pelo filtro B", disse Garcia, justificando a crítica de Chávez.A apresentação muito breve do documento na reunião de Cochabamba, ele continuou, deveu-se ao fato de ele já ter sido entregue aos presidentes. Apesar da longa explicação sobre o incidente, Garcia reconheceu que "há evidentemente percepções diferentes sobre o processo de construção da CASA, e seria estranho que não houvesse".Para desanuviar o ambiente de discussões, continuou Garcia, "foi combinado em Cochabamba que se faria uma reunião franca no Rio(referência à reunião extraordinária dos presidentes da CASA nesta quinta no Copacabana Palace), sem os formalismos de chancelaria, para definir uma estratégia melhor de trabalho".Industrialização e agriculturaGarcia disse ainda que o Brasil planeja apoiar o processo de industrialização e a agricultura da Venezuela, com transferência de tecnologia e investimentos. A idéia é criar uma comissão Brasil-Venezuela com este objetivo, já que a Venezuela é vítima da "maldição petrolífera", a dependência excessiva desta matéria-prima. O Brasil poderia contribuir em projetos industriais e agrícolas, no setor de habitação, em eletrodomésticos de linha branca, no apoio à pequena e média indústria e com a tecnologia agrícola da Embrapa.

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