Com crescimento menor a inflação está melhorando

O Relatório de Inflação, que o Banco Central (BC) acaba de divulgar, nos deixa num conflito: é mais pessimista sobre o crescimento da economia e mais otimista no que toca à marcha da inflação. Mostra, todavia, a fragilidade de uma economia que depende da efetivação de hipóteses relativas a alguns pontos importantes, como a evolução das contas públicas e das contas externas, com destaque para a taxa cambial.

O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2012 | 03h04

O Relatório revê para baixo a previsão de crescimento do PIB, de 3,5% para 2,5%, neste ano, em conflito com a do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que falou de um crescimento de 5%. Mesmo admitindo uma recuperação excepcional nos terceiro e quarto trimestres do ano, é algo impossível levando em conta os resultados dos dois primeiros trimestres.

Essa frustração é explicada pelas condições da economia mundial, como se o Brasil tivesse uma economia altamente dependente da exportação, o que não é o caso. E se espera que as novas medidas que o governo acaba de adotar possam animar o ritmo da nossa indústria. Não se procura, todavia, analisar por que outros países conseguem resultados muito melhores que os do Brasil.

A satisfação manifestada no Relatório é com a perspectiva de uma queda da inflação, que a leva a se aproximar do centro da meta. A projeção para o IPCA, no final de 2012, é de 4,7%; de 5%, em 2013; e de 5,1% para o segundo trimestre de 2014. Embora essas projeções indiquem alta progressiva da inflação, os valores são pelo menos aceitáveis.

O Banco Central se mostra consciente de que essa expectativa vai depender da manutenção de algumas hipóteses, e por isso deixa claro que "qualquer movimento de flexibilização monetária adicional deve ser conduzido com parcimônia".

As hipóteses são as mesmas há vários meses: superávit primário de R$ 139,8 bilhões; preços administrados com variação de 3,6%; estabilidade do preço da gasolina; taxa média cambial de R$1,92. São hipóteses pouco confiáveis, pois o preço da gasolina pode crescer após as eleições, a taxa cambial já está superada e exige intervenção constante do BC, e agora, com o novo pacote, acompanhado de redução das receitas do governo central, existe séria dificuldade de se alcançar o superávit primário, sendo mais importante diminuir o déficit nominal, o que o próprio ministro Mantega admitiu.

Não existe projeção de melhoria da economia internacional, o que dificulta a recuperação da brasileira.

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