Com crise, gasto do brasileiro no exterior deve crescer menos

Com isso, BC estima que o déficit na conta de viagens tende a moderar nos próximos meses

Célia Froufe e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

22 de novembro de 2011 | 11h07

BRASÍLIA - A crise internacional mudou o comportamento do brasileiro nas viagens internacionais. O chefe-adjunto do departamento econômico do BC, Fernando Rocha, disse que é possível observar uma mudança dos turistas diante do câmbio mais elevado e que isso deve moderar o déficit dessa conta nos próximos meses.

"Vai se delineando um cenário em que continuaremos a ter déficits em viagens internacionais, mas devem ser mais moderados. Isso porque o gasto de brasileiros no exterior deve ter crescimento mais moderado", disse Rocha, ao explicar que os turistas são mais sensíveis à variação das cotações do dólar. "As pessoas físicas fazem seu planejamento para uma viagem com uma expectativa de gastos. Mas o câmbio altera instantaneamente essa programação", explica.

Em outubro, o gasto de brasileiros no exterior chegou a US$ 1,720 bilhão, enquanto o gasto de turistas estrangeiros no País somou US$ 530 milhões no mês. Com isso, a conta de viagens internacionais registrou um déficit de US$ 1,190 bilhão no período, valor 6,3% menor do que o registrado em igual mês do ano anterior. Essa foi a terceira queda mensal consecutiva do saldo negativo. Em novembro até o dia 22, a conta de viagens tem déficit acumulado de US$ 655 milhões.  

No acumulado de janeiro a outubro de 2011, a conta de viagens internacionais está deficitária em US$ 12,263 bilhões, com receitas de US$ 5,516 bilhão e despesas de US$ 17,779 bilhões. 

Na conta de aluguel de equipamentos, o saldo ficou negativo em US$ 1,547 bilhão no mês passado com receitas de US$ 7 milhões e despesas de US$ 1,554 bilhão. No acumulado do ano, essa conta registra déficit de US$ 13,538 bilhões, com receitas de US$ 57 milhões e despesas de US$ 13,595 bilhões. Essa conta é a que registra o maior déficit acumulado em 2011 entre os itens que compõem a conta de serviços do balanço de pagamentos.

Remessas de lucro

Empresas multinacionais instaladas no Brasil remeteram US$ 1,558 bilhão em lucros e dividendos às suas sedes no mês de outubro, segundo dados do BC. Essas transferências foram menores do que as verificadas em igual mês do ano passado, quando as remessas ficaram em US$ 2,173 bilhões.

De janeiro a outubro de 2011, o envio de lucros pelas multinacionais somou US$ 29,218 bilhões, patamar superior às remessas de US$ 23,082 bilhões no mesmo período do ano passado.

O BC também informou que a despesa do Brasil com o pagamento de juros de dívidas contraídas no exterior somou US$ 785 milhões em outubro, gasto superior aos US$ 556 milhões de outubro de 2010. Nos dez primeiros meses de 2011, a conta com juros acumula US$ 6,936 bilhões. Em igual período de 2010, a despesa era maior e somava US$ 8,153 bilhões.

Texto atualizado às 12h15

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