Com crise, juro do crédito no Brasil é o maior em 2 anos

Pesquisa da Anefac mostra ainda queda nos prazos de financiamentos em setembro e maior restrição dos bancos

Da Redação,

14 de outubro de 2008 | 11h48

O consumidor brasileiro já está sentindo os efeitos da crise externa no seu dia a dia. Segundo pesquisa da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), as taxas de juros das operações de crédito voltaram a subir no País em setembro, atingindo o maior nível em dois anos. Além disso, houve uma redução no prazo do financiamento e um endurecimento nas condições de pagamento - o que mostra uma restrição das instituições financeiras em seus empréstimos.   Veja também: Bush anuncia compra de ações de bancos pelo Tesouro dos EUA Em meio à crise, empresas têm que pagar US$ 15 bi ao exterior Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise    Combinada ao aumento da taxa básica de juros, a Selic, de 13% para 13,75% na última reunião do Copom, a turbulência nos mercados causou a elevação do juro médio das operações de crédito para pessoa física de 7,39% ao mês para 7,46%, atingindo o maior nível desde novembro de 2006. Para a pessoa jurídica, a taxa média de juros passou de 4,27% ao mês (65,16% ao ano) para 4,36% ao mês (66,88% ao ano), a maior desde maio de 2006.   Além disso, o prazo máximo de financiamento de veículos, por exemplo, caiu de 72 meses para 60 meses em setembro, uma redução de um ano no período. Além disso, as montadoras começam a exigir, segundo a Anefac, uma entrada de entre 10% e 20% do valor do veículo, o que mostra uma restrição maior aos empréstimos. Para os bens diversos, o prazo de financiamento caiu pela metade, de 24 meses para 12 meses.   Taxa de juros x Selic   O estudo da Anefac mostra também que, no saldo dos últimos três anos - entre setembro de 2005 e setembro de 2008 - a taxa Selic caiu 6 pontos porcentuais, de 19,75% ao ano para 13,75% ao ano. As taxas de juros ao crédito, porém, não acompanharam totalmente a queda.   No mesmo período, o juro médio para pessoa física apresentou uma redução de 4,00 pontos percentuais (queda de 2,83%) de 141,12% ao ano em 2005 para 137,12% ao ano em 2008. Nas operações de crédito para pessoa jurídica esta queda atingiu 1,35 pontos percentuais (queda de 1,98%) de 68,23% ao ano em 2005 para 66,88% ao ano em 2008.

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