Com crise, Opep reduz previsão para demanda de petróleo

Com nova projeção da Organização e queda no varejo dos EUA, barril atinge preço mais baixo em 20 meses

Marcílio Souza e Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

15 Outubro 2008 | 11h08

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) reduziu sua estimativa para a demanda global de petróleo em 330 mil barris por dia para 2008 e em 100 mil barris por dia para 2009, em meio ao agravamento da crise financeira neste mês.   Veja também: Quadro recessivo nos EUA é certo, economista-chefe do Banco ING  Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise    Em seu relatório de outubro, a Opep afirmou que o crescimento da demanda pelo petróleo este ano será de 550 mil barris por dia, para uma média de 86,5 milhões de barris por dia. Para 2009, a previsão é de 87,2 milhões de barris por dia.   O grupo anunciou no mês passado em sua reunião em Viena que seus membros vão cortar a produção em 500 mil barris por dia para diminuir o excesso de petróleo no mercado.   Preço baixo   Os futuros do petróleo negociados na Nymex atingiram o menor nível desde setembro de 2007, enquanto os futuros da gasolina recuaram para o preço mais baixo em quase 20 meses, pressionados por receios de queda na demanda em meio ao desaquecimento da economia mundial.   Às 11h55 (de Brasília), o petróleo para novembro negociado na Nymex caía US$ 3,45, ou 4,39%, para US$ 75,18 o barril, após atingir a mínima de US$ 74,81 o barril. A gasolina para novembro recuava US$ 0,0841, para US$ 1,8007 o galão, com mínima de US$ 1,7880. O petróleo tipo Brent para novembro negociado em Londres perdia US$ 4,17, ou 5,60%, para US$ 70,36 o barril, com mínima de US$ 70,23 o barril.   O petróleo acentuou a queda após a divulgação dos dados sobre as vendas no varejo dos EUA, maior consumidor mundial de energia. As vendas norte-americanas no varejo em setembro caíram 1,2% - declínio mais acentuado em três anos -, devido ao enfraquecimento do mercado de trabalho e do aperto no crédito, fatores que diminuem o consumo.   "O setor de energia deve se concentrar agora no quadro futuro e no cenário para a demanda. A maior parte das economias mundiais aceita a recessão como uma possibilidade e o prognóstico de crescimento da China continua sendo foco de debates constantes", disse Rob Laughlin, analista de energia da MF Global.   O banco JPMorgan Chase reduziu recentemente a previsão de preço médio do petróleo em 2009 para US$ 74,75 e espera uma diminuição da demanda no ano que vem. "O mercado está preso em um redemoinho provocado por quatro tsunamis: o financeiro, o econômico, o de refino e o da oferta", afirmaram analistas do JPMorgan em um relatório mensal.   "Somente um inverno muito frio ou algum problema significativo e imprevisto com a oferta podem evitar o aumento do excedente", afirmou o banco, acrescentando que os riscos de excedente podem pressionar os preços e forçar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) a cortar a produção antes de uma reunião de emergência agendada para 18 de novembro, segundo o JPMorgan.

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