Lee Jin-man/AP
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Europa e Ásia ficam sem sentido único, mas Nova York sobe com chance de estímulos nos EUA

Investidores continuam atentos à disseminação da covid no mundo e ao risco de mais restrições, apesar do início das imunizações em importantes países

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2020 | 07h30
Atualizado 15 de dezembro de 2020 | 18h55

Os mercados asiáticos da Ásia e da Europa fecharam na grande maioria em queda nesta terça-feira, 15, embora em alguns casos próximos da estabilidade. Investidores avaliaram dados da China e do Brexit, além de continuarem bastante atentos à disseminação da covid-19 e ao risco de mais restrições à circulação para conter o vírus. No entanto, nos Estados Unidos, a continuação dos diálogos entre governo e oposição por novas medidas de incentivo ajudou no bom desempenho de Nova York.

O coronavírus continuou no radar nesta terça-feira, 15, principalmente após o avanço da doença no continente europeu, nos EUA e na Coreia do Sul. Hoje, a agência reguladora dos EUA comprovou que a vacina da Moderna tem eficácia de 94,1%. A expectativa é de que o imunizante tenha aprovação emergencial já na próxima sexta-feira, 18.

Além disso, também preocupa a falta de um acordo econômico pós-Brexit, forma como é chamada a saída do Reino Unido da União Europeia (UE). Segundo a Reuters, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson disse a auxiliares ser "clara" a possibilidade de não haver um acordo entre os dois blocos. Por outro lado, a UE afirma que os próximos dias de negociação serão cruciais.

Nesse cenário, ficou em segundo plano a recuperação acentuada da produção industrial e das vendas no varejo da China em novembro. Segundo dados oficiais, a produção industrial cresceu 7% na comparação anual, acima da previsão de 6,8% dos analistas ouvidos pelo The Wall Street Journal, enquanto as vendas no varejo avançaram 5% na mesma comparação, mas nesse caso com previsão de alta mais forte, de 5,5%.

Bolsas de Nova York

No mercado acionário americano, tomou conta o otimismo ante a chance de novos estímulos fiscais. Segundo a CNBC, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, convidou lideranças dos dois partidos no Congresso para uma reunião sobre o tema. Nos bastidores, circula que o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, também foi convidado. "O texto do pacote parece estar ganhando apoio, aumentando as chances de que seja aprovado até o fim do ano", comenta o LPL Research.

Diante da chance de mais estímulos, o mercado americano fechou com altas consistentes: Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq subiram 1,13%, 1,29% e 1,25% cada, com o Nasdaq voltando a bater recorde de fechamento. O ímpeto positivo, contudo, foi contido nos setores de tecnologia e serviços de comunicação pela proposta da Comissão Europeia para regular as grandes empresas da área, incluindo multa de 10% do faturamento anual em caso de descumprimento das regras. O Facebook ainda subiu 0,50%, mas a Microsoft caiu 0,03%.

Bolsas da Ásia

No continente asiático, chamou a atenção a chance do governo japonês adotar um terceiro orçamento extra para o ano fiscal de 2020 a fim de enfrentar a desaceleração econômica. Com isso, o Nikkei da Bolsa de Tóquio fechou em baixa de 0,17%. Na China, mesmo com os indicadores positivos, Xangai caiu 0,06%, mas Shenzhen subiu 0,39%. O sul-coreano Kospi caiu 0,19%.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu 0,69%, com o governo local prometendo aprovar mais uma rodada de medidas de alívio econômico. Em Taiwan, o índice Taiex teve baixa de 1,00%. Na Oceania, o índice S&P/ASX 200 fechou em queda de 0,43%. Ações do setor financeiro e de mineradoras estiveram entre as baixas. 

Bolsas da Europa 

O avanço da covid na Europa também impôs cautela aos negócios, diante de medidas de restrição para conter a propagação do vírus em várias nações. Por lá, o índice pan-europeu Stoxx 600 teve leve alta de 0,40%, também de olho na chance de mais estímulos nos EUA.

Algum otimismo também foi sentido nos demais índices. Frankfurt subiu 1,06%, enquanto Paris teve ganho de 0,04% e Madri avançou 0,14%. Milão avançou 0,81%. Na contramão, a Bolsa de Londres caiu 0,28%, enquanto Lisboa perdeu 0,09%.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta hoje, impulsionados pelo enfraquecimento do dólar, em dia marcado pelo otimismo em relação à distribuição de vacinas contra a covid-19 e a aprovação de uma nova rodada de estímulos fiscais nos Estados Unidos. O WTI para janeiro encerrou com ganho de 1,34%, a US$ 47,62 o barril, enquanto o Brent para fevereiro avançou 0,93%, a US$ 50,76 o barril. Ambos os contratos encerraram em seus maiores valores desde março .

Com isso, os preços deixaram em segundo plano as conclusões do relatório mensal da Agência Internacional de Energia (AIE). A entidade reduziu hoje em 170 mil barris por dia (bpd) sua previsão para o crescimento da demanda global por petróleo em 2021. Para 2020, a expectativa é bastante similar ao documento do mês anterior, com corte de 50 mil bpd./ MAIARA SANTIAGO, PEDRO CARAMURU E GABRIEL BUENO DA COSTA

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