Ahn Young-joon/AP Photo
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Com dados positivos na China e vacina, mercados internacionais fecham em alta

PMI industrial da China subiu de 53,6 em outubro para 54,9 em novembro, atingindo o maior nível desde novembro de 2010 e indicando a retomada econômica do país asiático

Eduardo Gayer e Iander Porcela, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2020 | 08h00
Atualizado 01 de dezembro de 2020 | 19h44

As Bolsas da Ásia e da Europa encerraram o pregão desta segunda-feira, 1, em alta, impulsionadas por indicadores econômicos favoráveis da China e por conta do noticiário envolvendo as vacinas para o coronavírus. Já em Nova York, animou a movimentação do governo americano por mais estímulos.

Nesta terça, o PMI (índice gerente de compras) industrial da China subiu de 53,6 em outubro para 54,9 em novembro, atingindo o maior nível desde novembro de 2010, segundo pesquisa divulgada pela IHS Markit em parceria com a Caixin Media. O indicador foi visto pelo mercado como mais uma evidência de que a manufatura da segunda maior economia do mundo continua se recuperando da pandemia.

Já na o PMI industrial da zona do euro caiu para 53,8 em novembro de 54,8 em outubro, acima da preliminar de 53,6 estimada pelos analistas. No entanto, o dado ficou em segundo plano após a Pfizer e BioNTech informarem que submeteram o seu potencial imunizante à União Europeia para aprovar o uso emergencial. O órgão disse que a aprovação pode ocorrer já no dia 29 de dezembro.

Além da Pfizer, a Moderna também entrou com um pedido para uso emergencial de sua vacina em desenvolvimento nos Estados Unidos e na EuropaEmmanuel Macron, presidente da França, disse que pretende fazer uma campanha de vacinação em massa no primeiro semestre de 2021.

Já o diretor de estudos de países do departamento de economia da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Alvaro Pereira, afirmou hoje que o PIB mundial em 2021 deve crescer entre 2% e 4%, a depender de como se sairá o processo de vacinação da população mundial. A OCDE divulgou hoje previsões atualizadas para a economia mundial e cortou a estimativa de contração da zona do euro de 7,9% para 7,5% em 2020.

Bolsas da Ásia

Na Bolsa de Tóquio, o índice Nikkei encerrou o dia com ganhos de 1,34%, acompanhado pelo índice Kospi, da Bolsa de Seul, que avançou 1,66%. Já o índice Hang Seng, de Hong Kong, ganhou 0,67%. Entre outros mercados, na China continental o índice composto de Xangai fechou em alta de 1,77%, enquanto o índice de Shenzhen subiu 1,90%.

Na Oceania, o índice S&P/ASX 200, da Bolsa de Sidney, terminou com ganho de 1,08%. Por lá, repercutiu ainda sinalização do Banco Central da Austrália (RBA) de "fazer mais" pela economia local, se necessário, embora tenha mantido a taxa básica de juros em 0,10% ao ano, em decisão de política monetária anunciada nesta manhã. 

Bolsas Europa 

O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou o dia em alta de 0,65%, a 391,90 pontos. O CAC 40, principal índice da Bolsa de Paris, avançou 1,14% nesta terça, atrás apenas do FTSE 100 de Londres, que fechou em alta de 1,89%. Frankfurt subiu 0,69%.

A bolsa de Madri subiu 0,79%, sustentado especialmente por empresas dos setores aéreo e hoteleiro, muito prejudicados com pandemia, e por ações de bancos, como o Santander e o Sabadell, que cresceram 5,83% e 5,25%, respectivamente. Milão avançou 0,18%, mas Lisboa caiu 0,37%. 

Bolsas de Nova York

No cenário interno, falas do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, sobre a recuperação econômica e a divulgação do índice gerente de compras industrial dos EUA sustentaram o ânimo nas bolsas. Investidores também monitoraram falas da futura secretária do Tesouro, Janet Yellen, além das negociações do governo e Congresso americanos por um pacote de estímulos fiscais.

Nesse cenário, o Dow jones teve alta de 0,63%. Os índices S&P 500 e Nasdaq renovaram seus recordes de fechamento. Enquanto o primeiro subiu 1,13%, aos 3.662,44 pontos, o segundo fechou em alta de 1,28%, aos 12355,11 pontos. No S&P 500, destacaram-se os ativos de instituições financeiras, como as holdings Lincoln Financial Group, com 5,68% e Capital One, com 4,74%. Já o Nasdaq foi beneficiado pelo bom desempenho geral das grandes empresas de tecnologia, após altas robustas das ações do Facebook, com 3,46%, Netflix, com 2,83%, Amazon, com 1,64% e Alphabet, com 2,33%.

Petróleo 

Os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa hoje, diante das incertezas em torno do acordo de corte de produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+). A expectativa era de uma definição sobre a possível extensão nos cortes fosse anunciada hoje, mas a reunião foi adiada para quinta-feira, 3. Supostos aumentos de oferta na Líbia também teriam pesado nos preços, deixando em segundo plano a expectativa de retomada da economia global com os avanços nas vacinas contra a covid-19.

O ING avalia que os cortes na produção da Opep+ são "qualquer coisa, menos certos" no momento, destacando os rumores de que o ministro saudita de Energia teria ameaçado deixar o cargo de presidente do comitê de monitoramento da Opep+. Os países não chegaram ao esperado acordo ontem, e a esperança agora é de que haja um acerto até quinta-feira. Nesse cenário, o petróleo WTI para janeiro fechou em baixa de 1,74%, a US$ 44,55 o barril. Já o Brent para fevereiro encerrou as negociações com recuo de 0,96%, cotado a US$ 47,42 o barril./ COLABORARAM MAIARA SANTIAGO E GABRIEL CALDEIRA

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