Com decisão do Copom, governo gastará R$ 721 milhões a menos com juros

Até janeiro, País despenderá R$ 16,6 bilhões com compromissos da dívida, segundo a Fiesp

Sílvio Guedes Crespo, de Economia & Negócios,

30 de novembro de 2011 | 19h53

A decisão do Conselho de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual permitirá ao governo gastar R$ 721 milhões a menos com juros até a próxima reunião do colegiado, marcada para os dias 17 e 18 de janeiro. O número foi calculado pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Caso a Selic permanecesse em 11,5% ao ano entre esta quinta-feira (1º) e a reunião de janeiro, o governo teria que pagar R$ 17,329 bilhões em juros aos seus credores. Agora que a taxa desceu para 11%, o custo será de R$ 16,608 bilhões.

No total, o governo gastou R$ 218 bilhões com juros desde o início do ano, segundo o Jurômetro, um sistema lançado pela Fiesp que atualiza permanentemente a estimativa de despesas públicas com compromissos da dívida. A entidade pretende colocar painéis na Avenida Paulista, em São Paulo, e na frente da sede do Banco Central, em Brasília, mostrando quanto o governo despende com juros.

Maior do mundo

A taxa real de juros (diferença entre a Selic e a inflação) do Brasil continua sendo a maior entre 40 países analisados pela Cruzeiro do Sul Corretora (veja gráfico abaixo). Com a decisão do Copom, o juro real desceu de 5,6% ao ano para 5,1%.

Para deixar de ser a maior do mundo, o BC teria que cortar a Selic em 3,5 ponto percentual, para 8% ao ano. Isso levaria o juro real a 2,3%, tornando-se o segundo maior do ranking, atrás do da Hungria, de 2,5%.

Considerando apenas a taxa nominal (a Selic), o Brasil é o segundo do ranking. Fica atrás da Venezuela, onde o juro básico é de 18,3% ao ano. Mas a taxa real do país vizinho é negativa em 7,4% por causa da inflação.

 

Menor desde 2010

Apesar de o juro real ainda ser alto em relação ao restante do mundo, neste momento é baixo em comparação com o histórico do País. Em 2003, primeiro ano do governo Lula, a taxa atingiu 16,9% em junho.

A partir daí, predominou a tendência de baixa, até que, em janeiro do ano passado, o juro real atingiu a mínima de 4% ao ano. Atualmente, a taxa é a menor desde dezembro de 2010 (veja gráfico abaixo).

 

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