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Com déficit, Espanha volta à mira dos mercados

Juros cobrados por títulos da dívida soberana do país chegaram a 5,5%; Roma e Bruxelas advertem para risco de perda da credibilidade

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2012 | 07h45

Após anunciar que não cumprirá em 2012 as metas estabelecidas para a redução do déficit fiscal, o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, agora enfrenta a desconfiança progressiva dos mercados financeiros, em um sinal de que a crise das dívidas soberanas ainda não se dissipou.

Os indícios de tensão vinham aumentando e ganharam proporção ontem, depois que os juros cobrados por títulos da dívida soberana do país voltaram ao patamar de 5,5%. Em Roma e Bruxelas, autoridades políticas advertiram Rajoy sobre os riscos da eventual perda de credibilidade nos mercados financeiros.

A elevação da incerteza já havia sido identificada na semana passada, quando os juros por obrigações com validade de 10 anos chegaram a 5,48%. Ontem, a taxa se mantinha elevada, mas em ligeira baixa: 5,30%. A breve distensão, entretanto, aconteceu porque a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, deu sinais de que pode estar começando a ceder na hipótese de elevação dos recursos do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MES) além dos € 500 bilhões que ele disporá em junho, quando for criado. "O MES deve ter € 500 bilhões em caixa, mas para que tenha tal valor podemos imaginar que excluamos os programas já em curso, e que representam € 200 bilhões", disse Merkel, em entrevista coletiva.

As declarações desviaram a atenção dos investidores nas bolsas de valores. Ontem, o índice FTSE de Londres fechou em alta de 0,82%, assim como o CAC 40, de Paris, e o DAX, de Frankfurt, com 0,74% e 1,2%, respectivamente. Sinal da tensão, porém, o índice IBEX 35, da bolsa de Madri, caiu 0,69%, contrariando a tendência de toda a Europa.

De acordo com analistas, o momento de incerteza vem sendo causado pela decisão de Rajoy de não cumprir as metas de redução do déficit público do país, que deveria chegar ao final de 2012 em 4,4%, mas deve ficar na casa de 5,3%. A decisão unilateral, tomada no mês passado, havia desagradado chefes de Estado e de governo da União Europeia, reunidos em Bruxelas para discutir novas sanções para países que descumpram os objetivos fiscais estabelecidos.

Crescimento. Rajoy alega que o ritmo de diminuição do déficit sofrerá uma redução em 2012 para não afetar - ainda mais - o crescimento espanhol, que deve enfrentar nova recessão, da ordem de 1,7%. O premiê promete retornar ao patamar de 3% em 2013, cumprindo o fixado pela UE.

No final de semana, entretanto, líderes políticos europeus demonstraram preocupação com a hipótese de um contágio da Espanha pela crise das dívidas soberanas, depois da Grécia, da Irlanda e de Portugal. Quinto maior mercado do bloco, a economia espanhola teria um efeito devastador se enfrentasse privações de crédito no mercado.

No domingo, o primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, advertiu Rajoy sobre o perigo que seu país corre. "A Espanha está dando a toda a Europa motivos de grande preocupação porque suas taxas de juros sobem", afirmou. "Não falta muito para recriar fenômenos que, por meio do contágio, podem afetar a nós também." Segundo Monti, "uma nova crise na zona do euro pode nos fazer perder meses".

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