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Com demanda menor por dólar, Banco Central apenas observa o câmbio neste início de 2020

Desde agosto de 2019, o BC vinha promovendo leilões de dólar à vista, permitindo aos agentes financeiros trocar posições em swap por dólares à vista - que, por sua vez, eram demandados por multinacionais para pagar dívidas no exterior

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2020 | 07h00

Em meio à busca menor por dólares por parte de empresas e fundos, o Banco Central (BC) tem se limitado a observar o mercado de câmbio neste início de 2020, sem promover leilões de moeda. Profissionais ouvidos pelo Estadão/Broadcast avaliam que o BC somente voltará a atuar nos próximos dias se a demanda por moeda se intensificar novamente.

Desde agosto do ano passado, o BC vinha promovendo leilões diários de dólar à vista, conjugados com operações de swap reverso (equivalentes à compra de dólares no mercado futuro) e swap tradicional (de venda de dólares no mercado futuro). Com estas três operações, o BC vinha permitindo aos agentes financeiros trocar posições em swap por dólares à vista - que, por sua vez, eram demandados por multinacionais interessadas em pagar dívidas no exterior.

Ao irrigar o mercado com dólar à vista, o BC atendeu à demanda e reduziu a pressão sobre o câmbio, em especial no mês de dezembro, quando empresas e fundos intensificam as remessas de lucros e dividendos a outros países. No mês passado, para manter a liquidez, o BC também chegou a realizar leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra no futuro).

Neste início de 2020, a demanda por moeda diminuiu. “O BC fez intervenções de linha e spot (à vista) no fim do ano passado em função da demanda, que acaba ficando concentrada em dezembro”, afirmou profissional da mesa de câmbio de um grande banco. “Tanto que o cupom cambial voltou bastante, está no patamar de 2,25%, e isso favorece (a não intervenção)”, acrescentou. Em tese, uma taxa menor do cupom cambial significa demanda menor por dólar à vista.

Para este profissional de banco, a tendência é que o BC observe o mercado nos próximos dias para decidir se haverá ou não mais operações. “Se persistir uma piora deste cenário, ele pode até intervir, mas hoje não há justificativa para isso”, comentou.

Nos últimos dias, a crise militar entre Estados Unidos e Irã tem sustentado os preços do dólar ante diversas moedas de países emergentes, como o real brasileiro. Na segunda, 7, o dólar à vista subiu 0,18% no Brasil e, perto das 12h36 de hoje, ele avançava 0,60%, aos R$ 4,0874.

O diretor da Fourtrade Corretora, Luiz Carlos Baldan, afirma que a crise entre EUA e Irã é o que tem sustentado as cotações do dólar neste início de ano, e não a demanda das empresas por moeda à vista, como visto em 2019. “Se não fosse (o presidente dos EUA, Donald) Trump, estaríamos com o dólar próximo dos R$ 3,95”, pontuou.

Baldan afirmou ainda que muitas multinacionais seguem em férias coletivas nesta semana. “Muitos departamentos financeiros voltam ao trabalho apenas na próxima segunda-feira, dia 13. A partir disso, a probabilidade de mais negócios é maior. Se necessário, o BC pode convocar novamente os leilões diários.”

Pré-pagamento

O movimento de busca de dólares para o pagamento de dívidas no exterior - chamado pelo BC de “pré-pagamento”, já que muitas vezes novos compromissos eram assumidos no Brasil, em reais - foi liderado pela Petrobrás no ano passado. Na esteira da estatal do petróleo, porém, outras multinacionais também passaram a quitar dívidas em outros países, o que levou o BC a iniciar os leilões diários na segunda metade de agosto.

Questionado em dezembro no ano passado se este movimento de pré-pagamento de dívidas já estaria esgotado, Campos Neto se esquivou. “Não dá para dizer se pré-pagamentos de dívidas lá fora já foram feitos ou não”. “Verificamos que o movimento no câmbio decorria em parte do pré-pagamento de dívidas pelas empresas no exterior, como a Petrobrás, mas é muito difícil identificar padrão único dessas operações.”

O fato é que a última operação de venda à vista de dólares realizada pelo BC ocorreu em 20 de dezembro. Desde então, foram 18 dias corridos (contando com hoje) e 10 dias úteis sem operações. Antes disso, o maior período sem intervenções do BC ocorreu em julho do ano passado (16 dias corridos e 12 úteis sem leilões de nenhum tipo).

Nos meses de janeiro de anos anteriores, o BC se limitou a promover leilões de swap, para rolagem de vencimentos, e leilões de linha, também para rolagem. Foi o que ocorreu em janeiro de 2019 e janeiro de 2017. No caso de janeiro de 2018, o BC não promoveu operações.

O próximo vencimento de swaps está programado para 1º de abril deste ano, no montante de 234.585 contratos (US$ 11,739 bilhões). Como a data ainda está distante, o BC também tem tempo para avaliar eventual rolagem.

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