Com derrota da seleção, comerciais da Copa perdem sentido

O Brasil ainda estava tonto com a derrota da seleção de Parreira quando, minutos após a partida com a França, entrou no ar um filme publicitário que mostrava embaixadinhas e cabeçadas de dar inveja a Zidane. Nos primeiros segundos era impossível identificar o autor das manobras. E o telespectador já devia até comentar: "Nossos jogadores gastaram tanta energia gravando comerciais que não tiveram ânimo de vencer a Copa". Segundos depois, quando a câmera abre, aparece o cantor Zeca Pagodinho, garoto propaganda da cerveja Brahma, patrocinadora oficial da seleção, com a mensagem que pretendia confortar o torcedor: "a gente sabe o show de bola que o brasileiro é capaz de dar. Bola pra frente, Brasil". A campanha da Brahma para a Copa do Mundo foi criada pela agência de publicidade Africa São Paulo. "Também estamos tristes com a desclassificação. Com esse filme, queremos homenagear a alegria do brasileiro e a capacidade de dar show de bola, tocar a vida adiante", diz Paula Lindenberg, gerente de marketing da Brahma.A Rede Globo ofereceu aos patrocinadores da seleção a possibilidade de transmitir comerciais condicionados ao resultado dos jogos, a partir da fase do mata-mata. A Brahma não desperdiçou a chance e desde a partida contra Gana, já estava preparada para o pior. "Essa mensagem faz parte da estratégia de apoio à seleção, que começou em fevereiro", explicou o diretor de atendimento da Africa, Márcio Santoro. O primeiro filme da campanha mostrava Zeca Pagodinho pedindo a sexta estrela. Fora do arGrande parte das demais propagandas que tinham como mote a seleção ou a torcida devem simplesmente sair do ar. É o caso do filme da Embratel que mencionava a emoção de poder assistir ao Brasil na Copa. O comercial, que ficaria no ar até o último dia do Mundial, deixou de ser veiculado na segunda-feira. O banco Santander Banespa também já tirou do ar as propagandas com Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos, Cafu, Kaká e Robinho, uma das que mais chamou a atenção durante a Copa. O presidente do Grupo de Mídia de São Paulo, entidade que reúne profissionais da publicidade, diz que a derrota da seleção brasileira terá impacto negativo para o setor. "A Copa é forte o suficiente para mobilizar com intensidade a atenção do marketing e da propaganda. E também é para fazer o contrário", comentou. Segundo ele, o problema não foi tanto a desclassificação do Brasil, mas o desempenho do time e a maneira passiva com que deixou a competição.

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