Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Com dezenas de protestos e sem transporte público, SP parou nesta manhã

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) chegou a listar até 20 protestos simultâneos, por volta das nove horas da manhã. No total, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) estimou em cerca de 50 o número de manifestações ocorridas em todo o Estado

O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2017 | 15h52

SÃO PAULO - Antes das quatro horas da manhã, o fechamento do principal acesso ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, foi o primeiro sinal do dia atípico orquestrado por centrais sindicais para esta sexta-feira, 28. Pequenos grupos se espalharam por vários pontos de ligação entre vias da Capital e Região Metropolitana e, em muitos deles, queimaram pneus para interromper o trânsito. As frentes Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular, auxiliadas principalmente pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), aeroviários e metalúrgicos, foram as organizadoras das mobilizações contra as reformas do governo Temer.

A cada um de dezenas de novos bloqueios, a Polícia Militar (PM) repetiu o protocolo de lançar bombas de gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes. Depois de Guarulhos, os alvos foram o Aeroporto de Congonhas, na zona sul, e as rodovias Anhanguera, Presidente Dutra, Ayrton Senna, Régis Bittencourt e Castelo Branco, na Região Metropolitana. Grupos de trabalhadores seguiram se deslocando pelo acostamento das estradas e voltaram a interrompê-las em vários momentos, até o início da tarde.

Focos de fumaça escura começaram a ser vistos na região central antes das sete horas da manhã, em razão dos incêndios provocados em avenidas como Nove de Julho, Ipiranga e na Marginal do Pinheiros. A Marginal do Rio Tietê, na zona norte, concentrou filas de ônibus impedidos de acessar a rodoviária. 

Ao final do horário de pico, o número de mobilizações começou a diminuir e passeatas de estudantes ganharam força. Alunos de universidades e escolas, públicas ou privadas, organizaram caminhadas nas regiões da Universidade de São Paulo (USP), no Butantã, e da Universidade Presbiteriana Mackenzie, na Consolação. Houve confronto com a polícia nas duas regiões.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) chegou a listar até 20 protestos simultâneos, por volta das nove horas da manhã. No total, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) estimou em cerca de 50 o número de manifestações ocorridas em todo o Estado.

TRANPORTE - Os protestos só não causaram maior impacto no trânsito porque nenhum ônibus municipal saiu às ruas durante a manhã. O metrô e os trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) começaram a operar, com circulação parcial, apenas depois das 8h30. Os sindicatos de rodoviários, metroviários e ferroviários assumiram a responsabilidade de arcar com multas, já que descumpriram determinações judiciais em favor do Estado e da Prefeitura.

PRISÕES E FERIDOS - Até o início da tarde, foram registradas 16 detenções na Capital e dois policiais sofreram ferimentos leves, conforme a SSP. Participantes de protestos também precisaram de atendimento médico, a maioria por inalação de gás, sem nenhum caso grave registrado.

 

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