Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Com dívida de R$ 180 milhões, gráfica que imprimia Enem tem falência decretada

Funcionários dizem que não havia sinal de que a companhia pudesse fechar as portas, já que não houve atrasos de salários ou benefícios

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2019 | 16h24

A gráfica americana RR Donnelley teve a falência decretada pela Justiça de Osasco nesta quinta-feira, 4. Com dívidas de R$ 180 milhões, a companhia havia requerido a autofalência no último domingo, 31, surpreendendo funcionários e fornecedores.

No processo, a empresa citava alto endividamento e dificuldades financeiras - como o prejuízo operacional de R$ 120 milhões nos últimos três exercícios - como motivos do pedido. No entanto, funcionários dizem que não havia nenhum sinal de que a companhia pudesse fechar as portas, já que não houve atrasos de salários ou benefícios.

A RR Donnelley segue, com a autofalência no Brasil, o mesmo caminho que trilhou na Argentina há dois anos. Por lá foram demitidos 400 trabalhadores; por aqui, serão 970. A empresa mantinha três unidades produtivas: em Osasco e Tamboré, em São Paulo, e em Blumenau, em Santa Catarina.

Por trás dos débitos da companhia havia uma pesada decisão judicial da época em que a companhia imprimia as raspadinhas no Estado de São Paulo, nos anos 1990. A RR Donnelley teria deixado de repassar comissões a um parceiro. O processo transitou em julgado e renderia à empresa um débito de R$ 50 milhões. A ação já havia motivado o arresto das duas fábricas paulistas da companhia, comprometendo sua operação. Segundo apurou o Estado com fontes próximas ao tema, o arresto cai com a falência.

Agora deverá ser nomeado um interventor para a companhia, que deverá distribuir os valores obtidos com venda de ativos na forma da lei, com prioridade a credores trabalhistas e fiscais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.