Divulgação
Divulgação

Com dívida de R$ 500 mi, dona da Universidade Metodista se prepara para recuperação judicial

Grupo que controla instituição de ensino entrou com medida cautelar na Justiça para que efeitos da RJ sejam antecipados; objetivo é entrar com plano de recuperação em 30 dias

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2021 | 18h35

Tradicional no ensino superior e básico, a centenária Educação Metodista está perto de fazer seu pedido de recuperação judicial. Com dívidas de cerca de R$ 500 milhões e enfrentando dificuldades financeiras desde 2015, o grupo viu a pandemia deteriorar sua situação. Para conseguir preparar seu plano de recuperação, o grupo, dono da Universidade Metodista, em São Bernardo do Campo (SP), protocolou nesta sexta-feira, 9, uma medida cautelar na Justiça.

Esse movimento tenta garantir que os efeitos da recuperação judicial sejam antecipados – algo que a empresa vê como fundamental para ter fôlego para atravessar esse período. O pedido de recuperação já está sendo elaborado e deverá ser protocolado em até 30 dias.

O grupo Educação Metodista abriu sua primeira escola em 1881, no Rio Grande do Sul. Hoje tem 11 colégios e seis instituições de ensino superior, no Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais. A instituição emprega cerca de 3 mil funcionários, sendo 1,2 mil docentes.  O grupo atende atualmente 19 mil alunos da educação básica ao ensino superior.

As dificuldades financeiras tiveram origem nas mudanças nas regras do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) em 2015, disse o diretor de operações estratégicas da Educação Metodista, Aser Gonçalves Junior, ao Estadão.

Na época, o grupo tinha uma base de 51 mil alunos – volume que encolheu 60% até aqui. “A mudança do Fies afetou todo o mercado educacional. Houve também a recessão e a entrada de novos players que realizaram uma consolidação do mercado, acirrando ainda mais a competição”, comenta o executivo. 

A educação universitária no Brasil havia dito um forte impulso com a chegada Fies, que aumentou o número de alunos no ensino superior em todo o País. Em 2015, contudo, as regras foram alteradas, com a alegação de que o programa se tornaria mais sustentável ao longo do tempo. Dentre as mudanças estavam juros maiores, prazo menor para se quitar a dívida e o fim do financiamento de 100% do curso.

Gonçalves Junior explica que a situação financeira se agravou ainda mais com a chegada da pandemia, que levou a mais perda de alunos e, consequentemente, de receitas. “Ficamos em uma situação inviável de nos recuperarmos sem ter um artifício legal. A recuperação judicial será a melhor ferramenta para ter um processo mais organizado, proteger os credores, resolver as pendências que temos e ficamos protegidos para conseguirmos restabelecer nosso fluxo de caixa”, diz o executivo.

Pandemia e cortes de custos

No começo do ano, a companhia contratou o escritório Galdino & Coelho Advogados, que está elaborando o pedido de recuperação judicial, e a consultoria Alvarez & Marsal, que está conduzindo a reestruturação do grupo.

O executivo conta que, devido à grande perda de alunos, foi necessário um enxugamento no quadro de funcionários. Ao todo foram 1,3 mil funcionários desligados. Agora, segundo ele, esse processo chegou ao fim. 

O processo de reequilíbrio financeiro passará também por uma reorganização dos cursos de graduação, com atenção para a rentabilidade. Após um mapeamento, alguns cursos já saíram da grade, ao passo que outros, mais rentáveis, tal como o de direito, odontologia e administração, reforçados. 

Para ganhar fôlego, o grupo Metodista também venderá ativos não operacionais, essencialmente imóveis. “Temos ativos suficientes para nos dar um fôlego. São terrenos, imóveis, ativos que deixaram de ser operacionais”, afirma o diretor de operações estratégicas da Educação Metodista.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.