AP Photo/Lee Jin-man
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Mercados internacionais fecham em queda com divulgações de dados econômicos

As maiores perdas foram registradas em Nova York, onde os índices caíram quase 5%, em meio à sensação de realização de lucros e com o temor quanto à solidez da recuperação dos EUA

Sergio Caldas, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2020 | 07h00
Atualizado 03 de setembro de 2020 | 19h04

Com exceção da Ásia, onde os índices fecharam com algum ganho, predominou nesta quinta-feira, 3, o tom de queda do mercado liderado pelas perdas das Bolsas de Nova York, onde os índices tiveram baixas de até 5%, após a divulgação de indicadores econômicos, mas principalmente pela sensação de realização de lucros.

A deterioração em Wall Street foi atribuída a uma correção após as altas recentes, com S&P 500 e Nasdaq frequentemente batendo recordes de fechamento. Entre os investidores americanos, pesou ainda o surgimento de dúvidas quanto à solidez dos indicativos de recuperação econômica dos EUA, após cair o número de vagas geradas pelo setor privado e pela queda do índice de serviços do País, que foi de 58,1 em julho para 56,9 em agosto.

Indicadores também foram divulgados na Ásia. Na pesquisa da IHS Markit com a Caixin Media, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) de serviços da China diminuiu de 54,1 em julho para 54 em agosto, com a leitura indicando que a expansão do setor perdeu fôlego e se estabilizou, após se recuperar fortemente do impacto inicial da covid-19

Já na Europa, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro, que engloba os setores industrial e de serviços, caiu de 54,9 em julho para 51,9 em agosto, segundo pesquisa final divulgada hoje pela IHS Markit. O resultado, porém, ficou acima da leitura prévia de agosto e da previsão de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, de 51,6 em ambos os casos. No mesmo período, o PMI de serviços da zona do euro diminuiu de 54,7 para 50,5, mas também ficou acima da leitura preliminar, de 50,1.

Bolsas de Nova York

A 'onda vendedora' que tomou conta das bolsas americanas desde o final da manhã derrubou os índices dos Estados Unidos. Em Nova YorkDow Jones encerrou com queda de 2,78% e o S&P 500 caiu 3,51%, mas a maior baixa foi a do índice de tecnologia Nasdaq, que teve um tombo de 4,96%, maior queda porcentual diária desde 11 de junho.

À tarde, o movimento de perdas se aprofundou, puxado pelas chamadas giant techs, empresas dos setores de tecnologia e serviços  de comunicação que têm liderado ganhos nos últimos meses. Alphabet caiu 5,12%, após o The New York Times informar que o Departamento de Justiça dos EUA deve apresentar acusações antitruste contra o Google nas próximas semanas. Apple fechou em baixa de 8,01%, Facebook cedeu 3,76%, Amazon perdeu 4,63% e IBM, 2,91%

Bolsas da Ásia 

No Japão, o Nikkei subiu 0,94%, atingindo o maior nível desde 20 de fevereiro, graças ao bom desempenho de ações ligadas aos setores de eletrônicos e automotivo. Investidores em Tóquio estão atentos a quaisquer mudanças de políticas que possam ocorrer com um novo governo depois que o primeiro-ministro Shinzo Abe deixar o cargo. Na semana passada, Abe anunciou que irá renunciar por questões de saúde.

Em outras partes da Ásia, o sul-coreano Kospi avançou 1,33% em Seul, em seu terceiro pregão consecutivo de ganhos, e o Taiex registrou alta de 0,46% em Taiwan, mas o Hang Seng caiu 0,45% em Hong Kong. Na China continental, os mercados ficaram no vermelho após números sobre a atividade no segmento de serviços da segunda maior potência econômica global. O índice Xangai Composto recuou 0,58% e o menos abrangente Shenzhen Composto caiu 0,84%. Já a Bolsa australiana encerrou com alta de 0,81%.

Bolsas da Europa 

Europa foi duramente afetada pela desvalorização dos Estados Unidos, deixando de lados os resultados melhores que o esperado dos indicadores da região. Por lá, os índices fecharam praticamente em queda generalizada com exceção da Bolsa de Madri, que teve leve alta de 0,13%. O Stoxx 600 caiu 1,40%, a Bolsa de Londres recuou 1,52%, a de Frankfurt cedeu também 1,40% e a de Paris teve perdas menores, de 0,44%. Milão e Lisboa caíram 0,12% e 1,54% cada.

Petróleo 

Os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa nesta quinta-feira, pressionados por uma aversão a riscos global após dados econômicos dos EUA e da China alimentarem dúvidas sobre a recuperação da economia mundial num contexto de farta oferta da commodity. O contrato do WTI para outubro fechou em queda de 0,34%, a US$ 41,37 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), e o Brent para novembro baixa 0,81%, a US$ 44,07 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE). /COLABOROU MAIARA SANTIAGO

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