EFE/EPA/YONHAP
EFE/EPA/YONHAP

Com divulgações de dados, mercados internacionais fecham sem sentido único

PMI composto da China atingiu o melhor patamar em novembro, mas alta abaixo do esperado do varejo da zona do euro em outubro desanimou; anúncio da Pfizer segurou os ganhos de Nova York

Maiara Santiago e Matheus Andrade, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2020 | 07h30
Atualizado 03 de dezembro de 2020 | 18h39

As Bolsas da Ásia e da Europa encerraram a sessão desta quinta-feira, 3, sem direção única, com a divulgação de índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) que trouxeram resultados positivos para a China, mas pouco amigáveis para o continente europeu. Em Nova York, os índices fecharam em alta, mas os ganhos ficaram contidos no final do pregão, após a Pfizer anunciar que terá problemas para entregar todas as doses da vacina prometidas para este ano.

O PMI composto da China, que abrange serviços e indústria, subiu de 55,7 em outubro para 57,5 em novembro, atingindo o maior nível desde março de 2010, segundo pesquisa da IHS Markit em parceria com a Caixin Media. A leitura acima de 50 pontos indica expansão dos setores manufatureiro e de serviços da segunda maior economia do mundo, que segue em franca recuperação do golpe do novo coronavírus sobre a atividade.

Já a divulgação de PMIs mais fracos do que o esperado na Europa pesou no mercado. "A mensagem principal dos PMIs da zona do euro permanece cristalina e desanimadora", comenta o analista da Pantheon Macroeconomics, Claus Vistesen. "O setor de serviços está sofrendo muito com os novos lockdowns - concentrados no lazer e na hospitalidade", acrescenta. As vendas no varejo da zona do euro subiram 1,5% em outubro, mas correspondem a um período anterior às novas restrições. A covid-19 segue avançando no continente, e hoje a Itália registrou seu maior número de mortos em um dia na pandemia, 993.

Por outro lado, as expectativas pelo acordo de um pacote de estímulo fiscal nos Estados Unidos impulsionou os mercados. Na última quarta-feira, 3, líderes democratas no Senado defenderam, em nota, que governo e oposição trabalhem a partir da proposta de US$ 908 bilhões revelada por um grupo de parlamentares dos dois partidos. Em comunicado conjunto, a presidente da Câmara dos Representantes dos EUANancy Pelosi, e o líder da minoria no Senado, Chuck Schummer, alertaram para o risco de uma nova recessão, caso não haja entendimento no legislativo por uma legislação de alívio.

Bolsas de Nova York

Segundo a Pfizer, a meta de lançamentos do imunizante para este ano precisou ser reduzida pela metade, alegando obstáculos em suprimentos. No entanto, a meta de mais um bilhão de doses em 2021 ainda está mantida. Na última terça-feira, 2, o Reino Unido informou que autorizou o uso emergencial da vacina da Pfizer. Com a informação, Nova York fechou em alta comedida - Dow JonesS&P 500 Nasdaq tiveram ganhos de 0,29%, 0,06% e 0,23%. Mesmo assim, o Nasdaq ainda conseguiu bater novo recorde de fechamento, aos 12.377,18 pontos.

Bolsas da Ásia 

Apesar do dado chinês, o mercado asiático realizou lucros e ficou sem sentido único. Na Bolsa de Tóquio, o índice Nikkei fechou em alta de 0,03%, mesma direção seguida pelo índice Kospi, de Seul, que subiu 0,76%. Em Hong Kong, o índice Hang Seng avançou 0,56%.

Já na China continental, não houve direção única. O índice de Xangai caiu 0,21%, mas o de Shenzhen subiu 0,06%. Na Oceania, o índice S&P/ASX 200 encerrou a quinta-feira em alta de 0,38%.

Bolsas da Europa 

As Bolsas europeias também ficaram sem sentido único. O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou quase estável, com alta de 0,01%, enquanto Londres avançou 0,42% de olho no pós-Brexit, forma como é chamada a saída do Reino Unido da União Europeia. Hoje, o ministro das Relações Exteriores da Irlanda, Simon Coveney, afirmou que as negociações em torno de um acordo comercial estão perto do fim. Milão e Lisboa também subiram, com altas de 0,16% e 0,32% cada.

Na contramão, Paris cedeu 0,15%, após a baixa de 0,40% das ações do Carrefour. Frankfurt caiu 0,45%, a maior queda da Europa, e Madri perdeu 0,24%.

Petróleo 

No petróleo, os barris subiram após a Organização de Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep+), anunciar que vai manter os cortes na produção, mas redução da oferta. A produção subirá 500 mil barris por dia (bpd) em janeiro, com o corte de produção caindo de 7,7 milhões de bpd para 7,2 milhões de bpd. Com isso, o WTI para janeiro fechou com alta de 0,80%, a US$ 45,64 o barril, enquanto o Brent para fevereiro subiu 0,95%, a US$ 48,71 o barril.

Apesar da notícia, desagradou o fato de que esse corte deverá ser reduzido de forma gradual de janeiro em diante, com a Opep+ avaliando mensalmente o panorama, quando o mercado esperava por ao menos três meses de cortes de 7,7 milhões de bpd em 2021.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.