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Com dois governos, Líbia tentar defender renda de petróleo

Parte do país que tem reconhecimento internacional quer novo sistema para receber as receitas da venda do óleo

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21 Dezembro 2014 | 23h00

TRÍPOLE - O governo da Líbia com reconhecimento internacional pretende criar um novo sistema de pagamento para receber as receitas vindas do petróleo ignorando o seu banco central que é baseado em Trípoli, capital que não está mais sob o seu controle, afirmou um alto oficial da área de petróleo.

O país produtor de petróleo e integrante da Opep tem dois governos e parlamentos paralelos desde agosto, quando um grupo chamado Amanhecer Líbio tomou Trípoli, forçando a administração reconhecida do primeiro-ministro Abdullah al-Thinni a se retirar para o leste.

O banco central, que administra as receitas do petróleo, tem procurado ficar fora do conflito, mas cada lado apontou seus funcionários que competem para comandar a National Oil Corp (Noc), companhia que vende o petróleo líbio.

No mês passado, Thinni nomeou al-Mabrook Abu Seif como chefe da Noc depois de o governo rival ter escolhido o seu próprio ministro do petróleo para trabalhar na sede da companhia, em Trípoli.

Novo sistema. Em uma tentativa de evitar que as receitas vindas do petróleo vão parar nas mãos dos rivais, o governo de Thinni procura estabelecer um novo sistema para compradores estrangeiros por meio de um braço oriental do banco central, disse Abu Seif durante entrevista por telefone.

“Nós discutimos essa questão com o primeiro-ministro, o presidente da Câmara dos Deputados e com o chefe do banco central... (Ali Salem) Hibri”, afirmou ele, referindo-se ao homem apontado pelos parlamentares aliados de Thinni depois de terem votado pela saída de Sadiq al-kabir, que ainda está no comando da instituição, de acordo com site do banco central.

Nenhuma decisão final foi tomada, declarou Abu Seif. O governo de Thinni também planeja fazer mudanças nos altos cargos da Noc, mas não irá criar a sua própria empresa de petróleo em separado, comentou ele.

O banco central está mantendo as receitas do petróleo em seus cofres, exceto pelo salário dos funcionários públicos e subsídios para comida, numa tentativa de se manter fora da briga.

Mas a luta pelo dinheiro vindo do petróleo provavelmente irá se intensificar, uma vez que ambos os governos precisarão de um novo orçamento a partir de 2015.

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