Com dólar alto, consultora recomenda adiar viagens ao exterior

Economista também aconselha ficar longe do cartão de crédito: 'Criar dívidas em dólar não é uma boa estratégia'

Bianca Pinto Lima, do estadao.com.br,

17 de outubro de 2008 | 14h32

A valorização do dólar surpreendeu os brasileiros que tinham viagem marcada ao exterior. Para quem não fez uma poupança na moeda norte-americana, a saída é adiar a viagem ou encurtar o prazo de permanência. Quem dá a dica é a consultora Márcia Dessen, sócia da BankRisk, que alerta: cartão de crédito também não é uma opção. "Dívida em dólar para quem recebe em reais não é uma boa estratégia", diz. Além de manter o descasamento da moeda, o consumidor correrá o risco de pagar os altos juros do cartão. Para Márcia, o momento é de cautela ou boas recordações da viagem poderão se transformar em pesadelo.    Veja também: Dólar alto prejudica balanço das empresas de papel do País Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise    Leia a íntegra da entrevista:   Qual a dica para o brasileiro que tem viagem marcada para o exterior?   Em primeiro lugar, essas pessoas já deviam ter feito uma poupança em dólar. O aconselhável é que a família acumule o dinheiro antes. Ninguém paga uma viagem depois que volta. O ideal, para toda a despesa que uma pessoa vai fazer, é primeiro acumular os recursos e depois gastar. E se vai gastar em dólar, deve acumular em dólar. Se a família fez uma poupança em reais, terá que encurtar o prazo de permanência ou adiar a viagem. Outra opção é viajar para dentro do Brasil, onde ela não terá que usar moeda estrangeira. O importante é que ela não estoure o orçamento ou boas recordações da viagem vão se transformar em pesadelo.   O cartão de crédito é uma alternativa diante desse cenário?   O cartão é muito arriscado, porque a pessoa está mantendo o descasamento da moeda e ainda corre o risco de pagar o juro, que é simplesmente proibitivo. Essa é a pior hipótese. Agora, para quem já gastou, não há nada que possa ser feito. A pessoa vai ter que liquidar com a taxa de câmbio atual e vai gastar muito mais do que imaginou. E se decidir parcelar, nada garante que a taxa de câmbio vai estar mais baixa e ainda terá que pagar juro.   Pode-se dizer, então, que contrair dívida em dólar não é uma boa saída?    Isso. O que fica para essa pessoa que tinha uma dívida em dólar e não fez nada é aprender que ela não devia ter uma dívida em outra moeda. Se ela tem recebimentos em reais e pagamentos contraídos em dólar, cria-se um fluxo de caixa descasado no orçamento. E esta é um situação de risco que nem uma empresa nem uma pessoa física deveriam correr.   À medida que a pessoa não faz o hedge, ou seja, não protege esse risco, ela está especulando que o dólar não vai subir. Trata-se de uma situação que não depende nem um pouco dela. A alta ou a queda da taxa de câmbio diz muito pouco respeito a nós cidadãos ou às empresas brasileiras. Diz normalmente respeito a aspectos macroeconômicos do Brasil e de outros países com os quais o Brasil se envolve comercialmente. Não proteger uma operação descasada é uma situação que o cidadão deveria evitar. Resumindo, dívida em dólar para quem recebe em reais não é uma boa estratégia.   E para quem tem dólar guardado, agora é uma boa hora de vender?   Depende de por que essa pessoa guardou dólar. Se a razão pela qual essa moeda foi comprada era para um projeto específico - curso, viagem, adquirir um equipamento importado -, ela não pode simplesmente vender. Tem que lembrar o porquê de você estar guardando esse dinheiro em dólar. Agora, se a pessoa estava comprando dólar simplesmente para especular, ai ela pode tomar a decisão de vender. Mas apenas se acreditar que essa é uma alta muito pontual, em função do nervosismo de mercado, ou que acreditar que o Banco Central não vai deixar esse dólar subir muito. Mas ai vai de encontro com a expectativa de cada um. O que vale é o que a pessoa acha.   A taxa de câmbio atual é adequada ao atual nível de oferta do dólar, que está mais baixo do que estava nos meses anteriores. Quando a oferta aumentar novamente, poderemos ver o preço voltar a R$ 1,80. Mas isso depende de coisas que dizem respeito à economia do mundo inteiro. Ou seja, para pessoa física e pequeno investidor a dica é ficar longe desse risco, pois não vale a pena.

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