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Com dólar em alta, cartão viagem é melhor opção

Uma das vantagens do cartão de débito é que sabemos exatamente qual a cotação do dia em que o cartão foi carregado, sem o risco de voltar de viagem com dívidas em dólar

Fabio Gallo, O Estado de S. Paulo

17 Setembro 2018 | 05h00

Entrei como aposentado em ação coletiva das perdas da poupança do plano Collor. Fui ao sindicato e não concordei com as regras e com o cálculo feito nesse acordo, porque acabo tendo uma redução de mais de 40% no que tenho para receber – uma vez que já havia ganho até em segunda instância. Mas ninguém me diz o que devo fazer agora. Posso continuar com a ação?

Quem entrou em ação coletiva, pelo que entendo, não tem escapatória se o seu sindicato foi um dos signatários do acordo. Em outros termos, se você deu poderes para alguma entidade agir coletivamente, o que ela acordou o fez também em seu nome. O recomendado é procurar um advogado e verificar a sua condição em particular. Devem ser analisados o documento de adesão e as condições nas quais a entidade aderiu ao acordo. Eu reli o acordo assinado pelos bancos, entidades de defesa com mediação da Advocacia Geral da República e interveniência do Banco Central e a ideia geral é de ocorrer concessões recíprocas para extinguir as ações e os poupadores poderem ter “algum” ressarcimento das perdas provocadas pelos planos econômicos Bresser, Verão, Collor I e Collor II. No acordo, são estabelecidas todos os limites e critérios para quem aderir. Vale a pena verificar no seu caso particular se as contas estão certas, porque cada plano tem um cálculo a considerar. Adianto que, dependendo do saldo base calculado, são aplicados diferentes redutores. Para valores acima de R$ 20 mil, o redutor é de 19%. A redução em alguns casos realmente é muito grande, além de que o pagamento pode ocorrer em até sete parcelas semestrais dependendo da data da ação e do valor. De qualquer maneira, nesse tipo de causa, vale a pena conversar com um advogado, mas considerar o risco de não ganhar a ação ou enfrentar demora no recebimento – que pode trazer maiores perdas.

Tenho uma viagem marcada para o exterior e estou apavorado com a alta do dólar. Um amigo comentou que a melhor opção é o cartão de viagem. É?

Neste momento, acho o cartão viagem a melhor opção. Quando vamos para o exterior, as alternativas que temos são comprar papel-moeda, cheques de viagem, cartões de viagem (pré-pagos), cartão de débito ou de crédito com função internacional. Uma das vantagens do cartão de débito é que sabemos exatamente qual a cotação do dia em que o cartão foi carregado, sem o risco de voltar de viagem com dívidas em dólar. O controle de gastos é o maior benefício. Mas, para carregá-lo com moeda estrangeira, há o IOF de 6,38%, mais as taxas da operadora e da corretora de câmbio. Esses cartões são facilmente recarregados pela internet, sendo possível que outra pessoa envie dinheiro para você pelo cartão, além de permitirem saques em caixas eletrônicos. No caso de papel-moeda, o IOF é de 1,10%, mas a taxa usualmente é mais alta do que a fechada no cartão. Além disso, há a questão de segurança de ficar portando dinheiro. O problema do cartão de crédito ou débito é que a taxa de conversão do câmbio será aquela da data de pagamento da fatura; portanto, você volta de viagem e não sabe com certeza quanto gastou em reais. Por outro lado, os cartões de crédito rendem milhas e, dependendo da bandeira e do tipo, contam com seguro-viagem. Os cheques-viagem também fixam o câmbio na data de compra e com o IOF de 6,38%, mas sempre ocorrem taxas na conversão do cheque para moeda. A dica é você levar um pouco de papel-moeda para os pequenos gastos de viagem, o cartão de débito para os gastos gerais e o cartão de crédito somente para emergências.

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