Dida Sampaio/Estadão - 23/11/21
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Com economia em recessão, Guedes insiste em recuperação em 'V': Brasil está de pé

Ministro da Economia creditou recuo de 0,1% no PIB do terceiro trimestre à queda de 8% na agropecuária e disse que isso 'se dissipa em quatro meses'

Eduardo Rodrigues e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2021 | 12h02

BRASÍLIA - A despeito da nova recessão técnica no Brasil, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse novamente que a “economia voltou em V". “Estamos praticamente de pé", disse nesta sexta-feira, 3, durante encontro anual da indústria química.

Na quinta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro teve o segundo trimestre seguido no vermelho: a economia recuou 0,1% no terceiro trimestre de 2021 em relação ao período anterior - condição que coloca o País em recessão técnica. Guedes sempre usa o mantra da recuperação em "V" (queda grande seguida de uma volta no mesmo ritmo), mas os economistas passaram a classificar o ritmo da atividade como "raiz quadrada", já que a economia passou a andar de lado.

"Agora as pessoas estão rolando a desgraça para o ano que vem. Na verdade, eu não sou um ufanista, não estou dizendo que o Brasil é o melhor país do mundo, estou apenas combatendo narrativas falsas de quem quer destruir a dinâmica de crescimento. É um processo lento, gradual”, afirmou. “Estou defendendo a possibilidade de o Brasil crescer no ano que vem”, acrescentou.

Guedes creditou o recuo de 0,1% do PIB à queda de 8% na agropecuária, afetada por problemas climáticos. “Isso se dissipa em quatro meses. É igual (o desastre de) Brumadinho”, argumentou. “Sai um PIB negativo, quando você vai olhar, a agricultura desabou 8% por causa de mau tempo, um acaso. Os críticos de sempre aparecem e dizem que acabou o crescimento. Senhores, a recuperação em V já aconteceu, acabou. O PIB já voltou. Esquece, não tem mais V.” 

Ele reconheceu que a escalada dos juros para combater a inflação vai desacelerar o crescimento econômico em 2022, mas argumentou que o governo confia na retomada dos investimentos. “A subida de juros desacelera o crescimento, mas taxa de investimento é sinal de crescimento à frente. Eu não estou tentando prever quanto será o crescimento, mas quero colocar um ceticismo sobre essas previsões de queda do PIB ou crescimento zero”, afirmou.

Na quinta, a pasta destacou que e a taxa de poupança chegou a 18,6% do PIB no terceiro trimestre deste ano, retornando ao nível do mesmo período de 2014. A taxa de investimento alcançou 19,4% do PIB, mesmo patamar do começo da década passada.

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