Com economia estagnada, Dilma diz que uma grande nação não é medida pelo PIB

Dados do Banco Central indicam que a economia teve pequena contração em maio, de 0,02%, e não cresce desde dezembro de 2011

FERNANDO NAKAGAWA, RAFAEL MORAES MOURA, TÂNIA MONTEIRO/ BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2012 | 03h03

A economia brasileira ficou estagnada em maio. Dados do Banco Central (BC)mostram que a atividade de empresas e indústrias teve ligeira contração de 0,02% ante abril.

Apesar da falta de reação às medidas de incentivo ao crescimento tomadas pelo governo, a presidente Dilma Rousseff minimizou a importância do dado que mede o tamanho da economia. "Uma grande nação deve ser medida por aquilo que faz para as suas crianças e adolescentes, não é o PIB."

Após ligeiro crescimento visto em abril, o Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) - considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) - deu força e voltou a patinar. Nos últimos seis meses, de maneira intercalada, três tiveram crescimento e três amargaram queda. No fim do sobe e desce, o índice está praticamente estacionado desde dezembro de 2011.

Sem a tão esperada reação, Dilma Rousseff relativizou a importância dos números. Durante a 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e Adolescente, a presidente disse que é mais importante observar "a capacidade de o País, do governo e da sociedade de proteger o seu presente e o seu futuro". Defendeu que é preciso olhar para outros rankings e não só para aquele que mede o crescimento dos países.

"Vamos disputar o que é a economia moderna, que é a economia do conhecimento, aquela que agrega valor", afirmou à plateia formada, em sua maioria, por adolescentes.

Longe do Palácio do Planalto, no mercado financeiro, o indicador do BC foi recebido com mais cautela. Em maio, a ligeira acomodação do IBC-Br foi melhor que o esperado. Analistas ouvidos pelo serviço AE Projeções, da Agência Estado, estavam mais pessimistas e previam contração de 0,20%. "A estabilidade de maio, contrariando sinais mais negativos vindos do desempenho mais fraco do consumo e da indústria, limita, por ora, leituras menos favoráveis para as estimativas do PIB do 2º trimestre", citou o Bradesco em relatório.

Sem otimismo. Mesmo com o desempenho que surpreendeu positivamente, não há otimismo entre economistas. A LCA Consultores reconheceu que o dado veio melhor que o previsto em maio e que o indicador deve ter alta em torno de 1% em junho. A reação do mês passado é motivada pelo segmento de veículos que teve impostos reduzidos e crédito facilitado.

"Ainda assim, o avanço do PIB no segundo trimestre deve ter ficado em torno de 0,5%, uma aceleração modesta", citou a LCA Consultores. O Bradesco tem prognóstico idêntico. Anualizado, esse desempenho aponta para crescimento em torno de 2%. O número está muito abaixo das intenções do governo e reforça a leitura que a economia vai crescer menos que em 2011.

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