Com economia fraca, cai a projeção de juros

Com divulgação de dados do varejo e do índice IBC-Br piores do que os esperados por analistas, taxas negociadas no mercado futuro recuam

Álvaro Campos, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2014 | 02h00

A percepção cada vez mais forte de que a atividade econômica se enfraquece rapidamente no Brasil pressiona as taxas de juros negociadas no mercado futuro para baixo. Com a divulgação dos resultados do varejo na quinta-feira e do IBC-Br ontem, piores do que se previa, o contrato de juros (DI) para janeiro de 2015 recuou de 10,81% para 10,80% ao ano. O contrato para janeiro de 2016 recuou de 11,30% para 11,19%.

O IBC-Br, considerado uma prévia para o Produto Interno Bruto (PIB), subiu 0,12% em abril em relação a março, abaixo da mediana estimada (0,16%) pelos analistas de mercado ouvidos pela Agência Estado. As projeções iam de queda de 0,40% a alta de 0,60%.

Para Luiz Monteiro, diretor da área de renda fixa da Queluz Asset Management, as projeções cada vez piores sobre o desempenho da economia este ano estão pressionando os juros. "Embora exista um ajuste represado dos preços administrados que precisa ser considerado, a atividade está muito fraca e diminui a chance de o BC subir juros", comenta.

Monteiro afirma que, apesar de comentários sobre possíveis aumentos de juros em alguns países desenvolvidos, a recuperação global continua muito frágil, o que deve adiar um eventual aperto monetário.

PIB negativo. Mesmo com o baixo crescimento da economia, de apenas 0,12% em abril, segundo o Banco Central, a economista-chefe da Rosenberg Associados, Thaís Zara, avalia que o PIB dificilmente fechará o ano no egativo. "É um pouco difícil ter retração do PIB no ano, mas teremos um desempenho bem baixo", disse Thaís, em entrevista ao serviço AE Broadcast Ao Vivo, da Agência Estado.

A previsão da Rosenberg é de uma alta no PIB em 1,4% e de alta de 0,3% no segundo trimestre do ano em relação a o primeiro trimestre deste ano.

Thaís disse que o baixo ritmo da atividade econômica já começa a refletir os efeitos do ciclo de elevação de juros, em um cenário de inflação ainda alta. "Temos atividade baixa e inflação alta", disse.

"É uma combinação bastante desconfortável entre inflação e crescimento, mas não teremos retração do PIB", completou a economista, destacando setores que normalmente puxam para cima o indicador de crescimento da economia, como atividade imobiliária, produção de eletricidade, gás e água, bem como mineração.

A queda da atividade, introduziu um viés de baixa na projeção do Bradesco para o PIB do segundo trimestre. A expectativa do banco continua sendo de uma ligeira expansão de 0,2% do PIB de abril a junho, mas agora a instituição já considera a hipótese crescimento menor. 

Focus vê PIB abaixo de 1,5%. Na última segunda feira, o Banco Central apresentou novo relatório Focus sobre perspectivas para a economia e o mercado financeiro continua pessimista com crescimento e inflação em 2014. Pela segunda semana seguida reduziu a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) do ano, de 1,5% para 1,44%. Para 2015 também houve queda, de 1,85% para 1,8%. Já a previsão para o custo de vida continua próxima do teto da meta, em 6,47%.

Para economistas, a previsão para o PIB pode cair ainda mais. Depois da divulgação do resultado do primeiro trimestre, que mostrou que o País avançou apenas 0,2% ante o último trimestre do ano passado, e de expectativas cada vez piores para a indústria, comércio e taxa de investimento, uma expansão de 1,50% passou a ser vista como um teto difícil de ser alcançado pelo País neste ano. /COLABORARAM FRANCISCO CARLOS DE ASSIS E GUSTAVO PORTO

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