Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Com economia fraca, empregos voltam só no segundo semestre, dizem economistas

Analistas veem indicadores econômicos ainda ruins por conta de recessão prolongada; desemprego atingiu 13,5 milhões de pessoas em fevereiro

Altamiro Silva Junior, Thaís Barcellos, Maria Regina Silva, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2017 | 21h30

A deterioração no mercado de trabalho segue firme e deve ir até, pelo menos, o segundo semestre deste ano. Analistas afirmam que a retomada de contratações é esperada para o segundo ou terceiro trimestre deste ano.

No trimestre até fevereiro, o desemprego subiu para 13,2%, como mostrou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 31. O contingente de desempregados bateu recorde e somou 13,5 milhões de pessoas.

O economista-chefe do Goldman Sachs para a América Latina, Alberto Ramos, vê a economia brasileira perto do ponto de virada, apesar de alguns indicadores ruins. "A recessão foi inquestionavelmente longa, profunda e ampla, mas há crescentes sinais de que economia pode estar perto de alcançar um ponto de inflexão", afirma. Apesar destes sinais, Ramos avalia que a atividade econômica ainda precisa engatar crescimento maior para que o mercado de emprego melhore. Só assim será possível absorver novos entrantes no mercado de trabalho.

Apesar da tendência de melhora, Ramos menciona que o processo de recuperação da atividade será lento e prolongado. Uma das razões é que o Brasil enfrenta uma série de "ventos contrários", incluindo o elevado endividamento das famílias, que contribui para que o mercado de consumo continue fraco, demanda externa fraca por produtos e commodities brasileiras e a incerteza política.

Segundo o economista-chefe da Parallaxis, Rafael Leão, a deterioração do mercado de trabalho vai até o terceiro trimestre, com o desemprego atingindo o pico, em 13,6%, em julho. Mas o economista afirma que a reoneração da folha de pagamento, anunciada pelo governo para ajudar a fechar o orçamento deste ano, pode atrasar a retomada do emprego.

Thiago Xavier, economista da Tendências Consultoria Integrada, conta que o desemprego repetiu o nível de 13% observado anteriormente, interrompendo uma série de alta de pouco mais de dois anos. Xavier lembra que desde dezembro de 2014 a taxa dessazonalizada vinha subindo e que, na última leitura, suspendeu essa dinâmica. Porém, ressalta que essa estabilidade não se deve ao aumento na criação de postos de trabalho.

"Isso de deve pela retração da PEA (de 0,1% para -0,2%) compensando a aceleração da queda dos ocupados (de -0,1% para -0,2%). Ou seja, o resultado não reflete uma melhora da população ocupada que continua em ajuste", explica. Os dados citados acima também estão dessazonalizados.

A expectativa de Xavier é que o nível de desemprego ainda prossiga elevado nas próximas leituras. Em sua visão, o arrefecimento na taxa de desocupação deve acontecer em ritmo moderado, com o desemprego médio podendo ficar em cerca de 13% no fim de 2017. "Difícil esperar que neste momento de atividade fraca o Pais consiga absorver a população desocupada."

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